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Imaginam o passeio higiénico de António Oliveira em plena madrugada de Macau. Admitem a eventualidade do murro de João V. Pinto, que para Valentim Loureiro nunca existiu, não existe nem voltará a existir. Revêm-se na admirável firmeza de Gilberto Madaíl, bem expressa naqueles intermináveis e penosos vinte minutos que antecederam o eventual despedimento do treinador "por razões externas" (Meu Deus, internamente talvez houvesse possibilidade de tudo continuar na mesma!). Já gozam a possibilidade de haver uma outra cassete, desta vez de vídeo, à nossa espera algures num hotel do Oriente. É a excitação levada ao rubro e a polémica rega-se com a única bebida possível: o úisque.

As mulheres, um pouco alheadas desta discussão que nem sempre entendem, podem optar por colocar as mamas ao léu, direitinhas, à espera da passagem terapêutica de um satélite benfazejo bem acima da canícula alentejana. Ora se as brasileiras as apontam ao céu apenas por um golo de Ronaldo!

É evidente que, num País tão criativo, o inquérito das "Selecções Reader's Digest" a colocar-nos em último lugar na Europa no que respeita ao nível cultural, só pode ser resultado de uma conspiração. Se eles não sabem de quantas maneiras se pode cozinhar o Bacalhau, ou se desconhecem que a Comissão Independente (para a definição do SPT) passou a chamar-se Grupo de Trabalho, porque havemos nós de saber qual é a capital da Roménia, o número de Estados que constituem a União Europeia e outras minudências? Isto é como perder tempo com a tabuada numa altura em que existem as máquinas de calcular.

Valha-nos o Parlamento! Francisco Louçã só parece pretender que José Maria Aznar venha de joelhos a Fátima para evitar a guerra com o poderoso exército de Portugal, ao comando do qual todos adivinhamos os Portas, finalmente combatendo como irmãos. Os jornalistas de prevenção ao autocarro do Bloco de Esquerda não deixariam de dar destemidos correspondentes na frente de batalha. E até os empresários do futebol, como José Veiga e Jorge Mendes, agora de punhos afinados em tempo de poucas transferências, se alistariam pela Pátria.

As nossas Forças Armadas estão da maneira que se conhece. Podemos não ter submarinos, e até nem aviões capazes de se manterem muito tempo lá em cima, e nem sequer dinheiro para colocar munições nas armas ou blindados a andarem. Podemos até ter, em terra, aviões desactivados a cair na cabeça de militares, como em Monte Real, mas sempre podemos esmagar os alhos da selecção e matar os espanhóis com o hálito. Manuel Alegre com certeza redimiria a fuga à guerra dos anos 60 com belos e encorajantes poemas escritos talvez em Paris, para apanharmos o inimigo de surpresa por todos os lados.

E depois da Espanha estar por nossa conta, a União Europeia que se ponha a pau com a polémica sobre o défice orçamental. Se este atingiu 3.9% do PIB em 2001 e para o PS mesmo assim só existe porque Durão Barroso, esse outro Miguel de Vasconcelos, cometeu o lapso de divulgar as contas do Banco Central Europeu, então basta desmentir tudo. As piruetas existem para se fazerem e este Governo tem mostrado excelentes ginastas e pugilistas. Além do mais, de tanto vergastado pelos camaradas que ficaram, de Ferro Rodrigues a Manuel Maria Carrilho passando por Vicente Jorge Silva, António Guterres merecia o silêncio, cristão e definitivo, sobre toda esta tralha.

Nos dicionários, como aqueles que os políticos agora levam para o Parlamento, existem muitas palavras a definir tudo isto. Para além da outra.

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