O Pai Natal Salvador, da GfK, beneficiou toda a TV com enorme inflação de espectadores em 2012: teríamos visto 5h34 por dia de Março a Dezembro, valor incrível tendo em conta os resultados do painel da audimetria feita pela Marktest para 2011, quando os portugueses terão visto 4h40 por dia. Se comparássemos números dos dois painéis para os dois anos, como fizeram apressadamente jornalistas e universitários, o tempo médio diário de contacto com a TV teria aumentado uma hora. Isso é virtualmente impossível. Nem crise nem desemprego explicariam esse aumento gigantesco, sem qualquer razoabilidade estatística. Seria coisa para livro de ficção, não para o livro Guinness.
Como comparam os números da GfK para 2012 com os do painel da Marktest, que continua activo e mantém como clientes pelo menos dois canais de TV? Segundo este, o contacto médio diário dos portugueses com a TV nos doze meses de 2012 foi de 4h40, isto é, mais quatro minutos do que no ano anterior (não uma hora!). Este aumento está mais próximo dos resultados audimétricos noutros países.
Os números da GfK são incríveis. Em Agosto, e no Verão em geral, a audiência costuma baixar, por andarmos mais fora de casa. Ora, nos números da GfK, em Agosto os portugueses teriam visto mais TV que em qualquer outro mês, excepto Dezembro. E no último mês do ano, os portugueses teriam visto umas incríveis 6h02 por dia, o que não tem paralelo com nada. O enorme aumento da audiência da SIC no horário nobre só acontece de segunda a sexta, quando há novelas brasileiras. As regras impedem que haja estrangeiros no painel audimétrico, mas terá o painel da GfK muitos brasileiros? O negócio da TV, que deve ser sério, está assim entregue num elemento essencial — a medição das audiências — a uma audimetria estranhíssima em que ninguém do mercado (nem quem beneficia) parece acreditar. Alguns clientes da GfK vivem no melhor dos mundos: têm resultados mirabolantes, que lhes permitem aumentar receitas; e não pagam pela audimetria que lhes dá tais resultados, pois ainda não foi considerada tecnicamente aceitável. Por onde anda a seriedade no negócio televisivo?
A VER VAMOS
TELEJORNALISMO DE LISBOA E DE PROVÍNCIA: QUAL É MAIS PROVINCIANO?
O jornalismo da capital de um país é por norma mais valorizado do que o jornalismo das regiões ou das cidades menores. Mas os canais portugueses dão um exemplo contrário: as delegações ou correspondentes da RTP, SIC e TVI na "província" praticam amiúde um jornalismo mais escorreito, factual, sucinto e sem os rodriguinhos dos seus colegas de Lisboa (e Porto), mais interessados em agradar aos colegas, com uso de um estilo barroco, do que na entrega da objectividade.
Os jornalistas de "província" fazem notícias sem embrulhos retóricos, visuais ou verbais. Por vezes, sucumbem aos interesses do poder local, mas, se não é esse o caso, o seu jornalismo é mais escorreito que o de Lisboa.
JÁ AGORA
RTP, BABY, ÉS UMA BOMBA
Os espectadores pagantes (0,74 € por "voto") escolheram a "melhor canção do ano", que a RTP apresentou num espectáculo nulo. Dos intérpretes das dez canções a "votos", sete nem se deram ao trabalho de lá ir. A votação "popular" recaiu sobre o género musicalmente mais fraco: ganhou (?) Emanuel, rei do pimba, com Baby, És uma Bomba. O "serviço público" deu voltas no túmulo.
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Por Carlos Rodrigues
Enquanto o COI impedia homens biológicos de baterem em mulheres, por cá a gente entreteve-se com uma pseudo-traição na ‘Secret Story’ e a bolha mediática acha mal José Luís Carneiro pressionar pela libertação de presos políticos.
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
É caso para temer que seja mais do mesmo.
Hoje, o desafio não é reescrever o texto constitucional, mas cumprir o seu espírito.
Somos dos países mais seguros. Porquê? Porque somos dos mais subdesenvolvidos.