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Eduardo Dâmaso

Eduardo Dâmaso

Jornalista

Espelho meu, espelho meu

15 de janeiro de 2026 às 00:31

A um dia do fecho da campanha, ganham os indecisos. As sondagens criaram uma perceção sobre dinâmicas de campanha que, tendo em conta as margens de erro e a falibilidade das amostragens, não permitem validar qualquer certeza em relação aos cinco candidatos que disputam a passagem ao round final. Quem não percebeu isso foi Cotrim de Figueiredo. Entusiasmou-se com os elogios sobre a sua campanha no TikTok, inaugurou o jogo sujo contra Mendes, inventou uma carta algo ridícula sobre reformas a encomendar ao Governo, como se tivesse o necessário poder. No auge dessa relação íntima com o espelho, Cotrim estampou-se. Os ziguezagues retóricos sobre um eventual apoio a Ventura na segunda volta, coroados com a declaração que o vai acompanhar pela eternidade – “Não sabia onde tinha a cabeça” -, mostram que aquele irresistível estilo de sabichão esbarrou num outro Cotrim, de um oportunismo serôdio, capaz de fazer o pino para piscar o olho ao eleitorado de Ventura. Esbarrou num Cotrim incapaz de lidar com a adversidade, a denúncia de alegado assédio sexual que estava a chegar. Incapaz de traçar um rumo claro, de gerir a crise sem ter de recorrer a ameaças. Na verdade, Cotrim deu um brutal tiro no pé, aumentando os indecisos no universo da direita. Mostrando que, nessa parte, as sondagens estão certas.

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