Sabemos, há muito, que ninguém de bom senso derramará uma lágrima por Khamenei e pelo fim de um regime teocrata, exportador da violência, que elimina os adversários dentro e fora do Irão, que tem um projeto de poder assente no nuclear, que mata o povo iraniano. Decorridos quatro dias de guerra, porém, foi decapitada uma parte da liderança, é certo, mas ela não morreu. Tem conseguido lançar o caos económico, militar e político no golfo Pérsico.
Ameaça expandir esse caos, por via da economia, que penalizará muito a Europa. Tudo o que aconteceu até agora mostra que a ‘doutrina Trump’ resulta mais de uma patologia narcisista do que de um plano racional, de procura de equilíbrios e paz. Trump exulta por estar aos comandos do Exército mais poderoso do Mundo. Decreta guerras sem saber como sair delas. Corta relações com quem se atravessa à sua frente. Promete tropas no terreno depois de ter diabolizado as guerras de Bush no Iraque e no Afeganistão. No paradigma que se abre, de desprezo pelo direito internacional, de prevalência da lei do mais forte, vamos eliminar a diplomacia e a política?! Vamos transformar Trump, um milionário insuperável na ganância, em xerife do Mundo?! É esta a nova ordem que queremos? Prefiro ficar-me com Régio e o seu ‘Cântico Negro’: “Não sei para onde vou/ sei que não vou por aí!”
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A ‘doutrina Trump’ não é mais do que uma forte patologia narcisista.
'Fúria Épica' não esperava um reação tipo franco-atirador.
O cruel regime iraniano merece cair, mas a decisão não devia depender de um 'xerife' americano.
Justiça não foi desenhada para combater a impunidade de gente com poder.
Ninguém aposta num longo voto de silêncio de Marcelo Rebelo de Sousa.
Está à vista o erro de associar a insegurança aos imigrantes.