Com a campanha a acabar, duas ou três coisas. Seguro, que muitos quiseram transformar no homem sem qualidades, lembrando o romance de Musil, conseguiu afirmar-se. Seja qual for o seu resultado, já salvou o PS da humilhação, se tivesse candidatado uma figura como Vitorino, a que se colaria um debate mais devastador do que o que se fez sobre Mendes, na promiscuidade entre política e negócios. Partindo de uma fasquia baixa nas sondagens, Seguro teve nos debates televisivos um trunfo importante de afirmação. Inversamente, Gouveia e Melo perdeu aí o gás que trazia da pré-campanha. Os debates evidenciaram a sua impreparação e alargaram a fragmentação na direita, penalizando o militar e Marques Mendes, em aparente benefício de Cotrim e Ventura. O líder do Chega terá conseguido segurar a sua base eleitoral, mas esse pode ser também o limite do seu crescimento. Os candidatos mais à esquerda mostram uma fragilidade que funciona como metáfora dos partidos que ainda sonham com a revolução e não atualizaram agendas, métodos e estratégia. Esta foi uma campanha marcada, mais uma vez, pelas sondagens diárias, que transformam a eleição numa corrida de frases feitas, mas jamais substituirão a grande sondagem de domingo, expressa na vontade popular. Vamos ver quem serão aí os campeões
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Debates televisivos moldaram a campanha nos traços essenciais.
Cotrim estampou-se no auge de uma relação íntima com o espelho.
Se a candidatura de Cotrim não fosse tão forte, provavelmente não haveria denúncia de assédio.
Só há dois caminhos: continuidade ou rutura. Tão simples quanto isso.
O importante é ser independente do dinheiro e da influência.
Seguro livrou o PS de uma humilhação nas eleições presidenciais.