Ventura está a tentar jogar uma cartada ao estilo de Soares mas com nenhum êxito. Mário Soares, que partiu de 8% nas sondagens, em 1986, construiu um frentismo de centro-esquerda para poder ganhar a Freitas do Amaral, que já chegara aos 46,33%. Em 1986 isso fazia sentido, num País fortemente dividido pela velha clivagem entre a direita e a esquerda. Soares dramatizou na segunda volta, dizendo que vinha aí a reação. Do lado de Freitas, alguns apoiantes diabolizavam a esquerda, dizendo que, se Soares ganhasse, os comunistas tirariam as reformas aos mais velhos e coisas do género. Doze anos depois do fim da ditadura, Portugal era muito diferente de hoje. O frentismo de hoje é outro. Há uma direita com mais de dois terços dos votos, ainda que fragmentada, e uma esquerda em acelerada perda de influência social e eleitoral. O socialismo de que fala Ventura, como construtor dos ’50 anos disto’, é a social-democracia europeia e não uma mimetização soviética. Por isso se percebe que não goste quando vê vozes da direita com Seguro. Este propõe, afinal, um frentismo entre os que preferem a democracia e tudo o que ela comporta, tolerância, diálogo, inclusão, ‘versus’ o radicalismo e a exclusão. E isso diz muito mais a um liberal, a um democrata-cristão ou a um conservador do que a gritaria populista e xenófoba. Que já nem Meloni pratica.
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