As dificuldades de Montenegro face ao desastre das presidenciais são óbvias. A pressão que todos os partidos fizeram ontem, no Parlamento, para que saísse da neutralidade, são um expressivo exemplo. Essa pressão explora a evidente fragilidade política do Governo e procura capitalizá-la para a luta pela liderança da direita. Ventura não quer ser Presidente da República, mas quer mais de 2 milhões de votos, que lhe permitam alimentar uma dinâmica que o coloque em São Bento. Montenegro passou a tarde a justificar-se e isso não é bom para um político. Sem levar o debate para o terreno dos valores, o que facilitaria a opção por um dos candidatos, Montenegro segue cálculos de pragmatismo político, na tentativa de separar as águas. As presidenciais são uma coisa, a governação outra. A imagem que fica, porém, é cada vez mais próxima de um náufrago desesperado em busca de salvação. A vida próxima, afinal, só tenderá a piorar. Ventura vai reivindicar a propriedade dos votos que conseguir e a popularidade do Governo também não deve estar muito em alta de cada vez que se falar da reforma de leis laborais. Ou da Saúde. Se a economia guinar um pouco e os portugueses sentirem menos dinheiro no bolso, então, é melhor começar a limpar as armas. Ou pedir estabilidade ao Presidente que estiver em Belém, que, neste cenário, só pode ser um.
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