O relato das sevícias praticadas sobre pessoas detidas na esquadra da PSP no Rato, em Lisboa, é aterrador. Deveria causar um forte sobressalto cívico e político, para lá daquilo que é a investigação judicial e a obrigatória presunção de inocência. Os factos foram denunciados por outros polícias, que os reportaram ao comando, e enviados pela própria direção nacional da PSP para o Ministério Público. Os mecanismos internos de denúncia, investigação e punição funcionaram, e isso não é pouco. Pelo contrário, deve merecer um expressivo elogio porque, sem esse apego ao cumprimento da lei e à decência, seria quase impossível a deteção dos prevaricadores. Mas não podemos ficar por aqui. A violência das torturas descritas, o abuso de poder, a ausência de empatia humana e o esmagamento físico e psicológico de pessoas em situação de enorme fragilidade obrigarão a revisitar a formação policial, em direitos humanos e fundamentais, o conhecimento da lei, os perfis psicológicos, uma imensidade de obrigações que não devem anular-se mediante a eventual constatação de que se tratará de um caso isolado. O que ali está não define a instituição nem os milhares de pessoas que a servem. Mas define pessoas que em circunstância alguma estão em condições de envergar uma farda. E a deteção precoce desse tipo de patologias é cada vez mais decisiva, para que as forças policiais sejam respeitadas e vistas como instituições também elas respeitadoras da democracia.
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