O bispo D. José Ornelas é o mais recente produtor de ‘fake news’ na esfera pública. Pensando que as gémeas luso-brasileiras necessitavam do milagroso Zolgensma para salvar a vida, elaborou a sua própria teoria da cunha e da corrupção. Gritou para a praça pública, do alto da sua indignação e da virtude católica, que se é para salvar duas meninas, também ele é corrupto. O senhor bispo partiu de pressupostos errados. A farinha do seu pão está adulterada. O medicamento não é milagroso, nem melhor do que o que as meninas já tomavam. Compreende-se, mesmo assim, o contexto das suas palavras. Um bispo percebe bem muito de corrupções materiais e espirituais. Nas materiais, basta ver o que a Igreja tem feito para abafar o escândalo quase universal dos abusos sexuais. Vivendo numa organização destinada a fazer o bem, em teoria, não concebe que os seus próprios atos sejam uma espécie de corrupção sem redenção, sem o sossego da finalidade cristã do ato. No seu mundo, a coisa terá, ao menos, o sentido ditado pelo grande livro. Também o teria cá fora, se o risco de vida fosse eliminado com o remédio em causa. Mas na laicidade própria do Estado, na sua submissão a regras de igualdade perante a lei, as suas palavras não são aceitáveis, nem banhadas pelo espírito natalício. São apenas expressão do poder da casta dominante, a que também pertence.
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Só há dois caminhos: continuidade ou rutura. Tão simples quanto isso.
O importante é ser independente do dinheiro e da influência.
Seguro livrou o PS de uma humilhação nas eleições presidenciais.
No estado a que deixámos chegar a chafarica não há Ronaldos nem Messis.
Estas presidenciais têm tudo para ser as mais emocionantes.
Já só se pede um pouco de diálogo e bom senso, não de partidarite aguda.