João Cravinho fica na história por várias razões, mas a mais significativa está relacionada com o chamado ‘Pacote Cravinho’ contra a corrupção. A discussão gerada, em 2006 e 2007, deste conjunto de diplomas, que propunha medidas de repressão, mas também de modernização administrativa, visando eliminar as oportunidades criadas por leis confusas, inaplicáveis e cheias de omissões ou alçapões, escondendo cláusulas feitas à medida de interesses particulares, é inesquecível. Ela mostrou a falta de vontade política por parte desse PS em lutar contra a corrupção. As reações do Governo de Sócrates às propostas de Cravinho foram uma antologia de cinismo e hipocrisia. Governo e PS barricaram-se numa farsa de manipulação dos direitos fundamentais e Sócrates chegou mesmo a chamar-lhe uma “enorme asneira”. O PS, com exceção de Seguro, mergulhou num silêncio mortificante. O baronato que anda por aí a clamar por um bloco central e contra o fascismo não piou. Pelo contrário, quando Sócrates foi detido, saltou para a primeira linha de tiro à justiça. Com o desmantelamento da JAE e do velho reino dos ‘sete magníficos’, como eram conhecidos os tecnocratas do PSD e do PS que ali mandavam há décadas, Cravinho percebeu que a corrupção política era muito alta e funda. E também deixou de ter ilusões sobre a vontade do dito ‘centrão’ em combatê-la. Com a sua morte, cala-se uma voz única na defesa da integridade, mas não se apaga o exemplo.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
Com a guerra a escalar, Chega e CDS estão mais preocupados com bandeiras.
Com aliados destes, EUA e Israel, quem precisa de inimigos?
A guerra já está a ter um duro impacto na nossa carteira com inflação e juros mais altos.
Trump já terá percebido que esta guerra não se ganha com bombas.
Face ao seu antecessor marcou uma grande diferença: o fim do frenesim.
Trump é uma grotesca representação da mentira e do fanatismo.