Quando se ouve uma autarca socialista como Inês de Medeiros a brindar-nos com uma análise primária sobre a ‘Operação Marquês’, percebe-se o incómodo que o tema ainda causa no PS. Ouvida na TSF, Medeiros dizia que, neste processo, foi “tudo mau desde o princípio”. Entre os socialistas, a análise sobre Sócrates ainda segue o caminho dos excessos do Ministério Público, do juiz de instrução, da comunicação social, dos mais de 50 juízes de tribunais superiores que chumbaram os sucessivos recursos. Uma parte do PS bebeu até à última gota a tese conspiracionista do preso político, perseguido por todos, a quem impediram de ser Presidente da República. Sócrates, como Berlusconi e Sarkozy, segue uma linha clássica de polarização, negando todos os factos, recorrendo sempre, atacando os malvados inimigos. Cada um acredita no que quer, é certo, mas engolir a cassete garantista de Sócrates, um ataque grosseiro a quem não tem o seu misterioso dinheiro para fazer luzir certas garantias perante a máquina judicial, é uma forma de reduzir o debate sobre a justiça a um primarismo inaceitável para quem pode participar - e até dominar - o processo legislativo. O PS não pode entrar nisso e tem de resolver, de vez, o seu tremendo défice de reflexão, diagnóstico e ilações sobre a forma como consentiu a ascensão de um homem inequivocamente portador de uma cultura de delinquência, mentira e mitomania ao mais alto nível do partido. Isso é que correu tudo mal.
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