Armando Esteves Pereira
Diretor-Geral Editorial AdjuntoAtaque americano à Venezuela parece uma réplica do que aconteceu em 1989 a Noriega no Panamá. O argumento é o mesmo. Washington acusa o regime de tornar o País um narcoestado, derruba e captura o líder, condena-o e muda o regime. E tudo isto pode acontecer sob uma capa democrática.
Noriega, durante anos fiel servidor dos interesses americanos, caiu em desgraça e em 1989 foi capturado e cumpriu pesada pena de prisão em território americano. A cadeia e o confisco de bens é o provável destino de Maduro, que enfrentou Trump em vez de negociar a rendição. Mas este ataque americano não é por causa da droga. Há mais de 200 anos que os EUA olham para a América Latina como um quintal privativo, onde podem fazer o que querem. Quem enunciou essa doutrina foi o Presidente Monroe, há 203 anos. A então jovem república cimentou as bases de todas as ocupações futuras. E do México ao Chile não há nenhum regime que tenha prosperado muito tempo contra os interesses americanos. Salvo Cuba, que desde a revolução tem resistido, mas não prospera. Todas as invasões dos EUA na América Latina têm um móbil e é sempre dinheiro. Nas Honduras, Guatemala, Nicarágua, Equador, os interesses a defender eram as plantações de banana. Na Venezuela outros interesses mais altos se levantam. Tem as maiores reservas mundiais de petróleo, que alguém irá entregar agora às empresas americanas.
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