Passos Coelho obrigou Montenegro a exigir uma clarificação da liderança nas próximas diretas. A cartada não é isenta de riscos. Das duas uma: ou Montenegro sabe que o passismo não tem capacidade de mobilizar o partido e parte tranquilo para o duelo, acabando de vez com o fantasma; ou, pelo contrário, Passos leva ao PSD a força de lutar por uma maioria absoluta, sozinho ou numa geringonça qualquer com o Chega, o que pode significar um ciclo de poder mais prolongado, derrotando Montenegro. O vento eleitoral sopra para a direita e Passos não esconde que esta será a oportunidade de regressar ao poder para fazer reformas. O problema na narrativa de Passos, porém, também está aí. Tem passado desalento sobre a governação do seu partido e quase nenhuma ideia sobre o que quer mudar. Uma parte significativa do povo acima dos 35 ainda se lembra dos cortes nos salários e nas reformas do seu Governo. Suspeita, aliás, que a palavra reformas é um mero eufemismo para comprimir brutalmente a Segurança Social, a saúde tendencialmente gratuita, manter salários baixos e trabalho mais precário. Passos pode ter, afinal, um programa tão liberal como o mais radical que a IL defenda. Nem ao Chega conviria um menu desses. Por fim, não é claro que o povo queira essas reformas de Passos, que pode, portanto, ter de continuar na condição fantasmagórica por uns tempos. Montenegro talvez se tenha precipitado no desafio, mas ainda só precisa de ter juízo.
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