A gestão governamental do apagão começou com… um apagão de vários ministros, com destaque para Castro Almeida. O ministro a quem é apontada uma grande experiência política, um velho corredor de fundo tecnocrata, que vem das profundezas do cavaquismo obreirista, foi lesto na criação do inimigo externo. A um governo em campanha eleitoral, numa situação de potencial falência de setores vitais do Estado, dá sempre um jeitão fixar uma narrativa que passe as culpas a outro. Castro Almeida mostrou ontem alguma ‘experiência’ propagandística, mas capacidade zero de enfrentar uma crise como a do apagão.
Em coro com Leitão Amaro, que apontava, com indisfarçável alívio e a sua conhecida propensão para uma linguagem semiótica, “um fenómeno que não é nacional” como causa do apagão, Castro Almeida acrescentou o espectro maquiavélico do ataque cibernético. Poder dizer que, não só o apagão vem de fora e atinge vários países, como foi produzido por um tenebroso inimigo invisível de todos os democratas, é um luxo propagandístico, ainda que serôdio.
Antes da hora do almoço, portanto, com os portugueses a enfrentarem já um trânsito caótico, em alguns pontos, pela falta de semáforos; a perguntarem-se sobre o que estava a acontecer; a correrem às bombas de combustível e aos supermercados; o Governo, que deveria comunicar certezas, era o principal produtor de incertezas e medo. Publicava fotos do Conselho de Ministros, numa cedência a uma lógica primária de propaganda, tributária do velho “deixem-nos trabalhar” cavaquista, mas nas ruas, nos aeroportos, estações de autocarros e comboios, hospitais e escolas, crescia a confusão e o caos.
A tese do ciberataque fazia um caminho imparável. Abriu um ciclo de desinformação, que foi do avião que destruiu cabos de alta tensão ao incêndio francês, entre outras mentiras que as redes sociais foram reencaminhando com fervor, aumentando o medo. Em síntese, nessas primeiras horas da crise, o Governo não fez nada do que deveria ter feito na gestão da comunicação pública. Os portugueses ficaram entregues a si próprios. O primeiro-ministro deveria ter aparecido na primeira hora e deveria ter anunciado o processo de comunicação regular e institucional, sem prejuízo de outros mecanismos de transmissão de informação relevante e útil por instituições como a Proteção Civil, o Serviço Nacional de Saúde, segurança interna, entre outras. Numa crise, exige-se informação útil e atempada, rigor e verdade. Nada disso se viu. Foi, também, um apagão governamental.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
Netanyahu conseguiu eliminar os seus inimigos. Usou o engodo nuclear para realizar um sonho antigo.
Com a guerra a escalar, Chega e CDS estão mais preocupados com bandeiras.
Com aliados destes, EUA e Israel, quem precisa de inimigos?
A guerra já está a ter um duro impacto na nossa carteira com inflação e juros mais altos.
Trump já terá percebido que esta guerra não se ganha com bombas.
Face ao seu antecessor marcou uma grande diferença: o fim do frenesim.