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Eduardo Dâmaso

Eduardo Dâmaso

Jornalista

Pactos de regime

07 de junho de 2025 às 00:31

A predisposição de José Luís Carneiro para o diálogo político com o Governo da AD está a deixar alguns dos seus camaradas à beira de um ataque de nervos. O mesmo se diga do que António José Seguro tem dito sobre a necessidade de valorizar a concertação e o diálogo, levando a reações destemperadas que já entraram no insulto pessoal. Um e outro caso mostram, a cada dia que passa, que uma parte do baronato socialista lisboeta ainda não percebeu que foi literalmente atropelado pelo eleitorado. Que o eleitorado penalizou uma herança desastrosa em matéria de imigração e um partido que se transformou numa máquina clientelar centrada em meia dúzia de califas. Que a reconstrução, se ainda for possível, exige humildade, tempo, muito trabalho e paciência. E exige capacidade de dialogar com os outros partidos, em particular com o PSD, como há muito não acontece. José Luís Carneiro há de ter os seus defeitos, como qualquer mortal, mas, para já, mostra ter uma sintonia muito mais autêntica com uma boa parte do País do que uma geração de camaradas que, no essencial, nasceu e cresceu na jota, em estúdios de televisão e no comentariado. Que conhece meio mundo da classe política lisboeta, mas não conhece o País nem os portugueses de todas as geografias e meios sociais. Se uma boa parte do PS não percebeu isso, está longe de ter entendido alguma coisa do que se passou no passado dia 18 de maio.

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