No fim de mais uma campanha, foquemo-nos em duas ou três ideias. A polarização não triunfou e o tom geral foi positivo. Os partidos trabalharam para os seus objetivos, centrados exclusivamente no processo e na liturgia eleitoral de conquistar o poder. E, aí, prevaleceram os velhos mecanismos de campanha, como a procura de criar algum efeito de multidão na rua, uma ‘onda’, já muito longe das imagens de outrora, e de fixação narrativa no voto útil à esquerda e à direita. Centraram-se mais na tática, canibalizando o tema da governabilidade, do que na mensagem de governação. Ficaram muitas questões de fora. A Europa, o ambiente, a cultura, a justiça, a valorização do trabalho versus a profusão da inteligência artificial, também um projeto credível de crescimento económico. Cada um procurou os seus dogmas. A AD jogou com os antigos líderes de PSD e CDS, já os socialistas apostaram as fichas em António Costa. No domingo à noite também estes serão vencedores e perdedores. Num tempo de muitas transições, ficaremos também a saber se vamos entrar num ciclo de fragmentação do sistema político, ou se, pelo contrário, ele resiste nos seus alicerces pós Abril de 1974. No essencial, pegando na linguagem pessoana, votar é preciso. Só assim defenderemos a democracia criada numa madrugada de há 50 anos. Só assim defenderemos as nossas próprias vidas. Vão votar, não fiquem em casa.
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