Armando Esteves Pereira
Diretor-Geral Editorial AdjuntoA segurança e a perceção da segurança por parte dos cidadãos são questões demasiado importantes para serem desvalorizadas. E o primeiro-ministro tem razão: não se pode dormir à sombra da bananeira das boas estatísticas. Os recentes tumultos em Lisboa, a entrada em Portugal de sofisticadas máfias do crime, como a recentemente noticiada do cartel brasileiro PCC, obrigam as instituições que têm por missão zelar pela nossa segurança estarem atentas e articuladas no combate e prevenção do crime.
No entanto, quarta-feira Luís Montenegro foi responsável por um falhado ato político ao fazer um anúncio ao País com solenidade e quase sem nada para dizer. Mesmo os milhões para renovação da envelhecida frota da PSP e da GNR já não eram notícia, segundo o ex-ministro José Luís Carneiro, porque o investimento já estava planeado. Por outro lado, um primeiro-ministro falar de operações de polícia no dia em que ocorrem também pode criar um precedente perigoso, porque se a operação policial em vez de ser contra criminosos de bairros desfavorecidos fosse contra barões de colarinho branco e se por acaso fossem governantes, dirigentes, deputados ou autarcas do partido de Luís Montenegro, já não falaria da mesma maneira.
Uma declaração do primeiro-ministro ao País, à hora do ‘prime time’ televisivo, é demasiado solene e importante para ser desperdiçada numa alocução com tanto barulho para tão pouca coisa.
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