Ventura quer avançar com eleição de três juízes do TC mas quarto só quando renunciar

Líder do Chega disse que vai pedir uma reunião sobre este assunto ao presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, e indicou que falaria ainda esta tarde com o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares.

19 de maio de 2026 às 18:28
André Ventura, líder do hega Foto: Tiago Petinga/Lusa
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O líder do Chega defendeu esta terça-feira que a Assembleia da República deve avançar com a eleição de três juízes do Tribunal Constitucional, mas só pode eleger o substituto do presidente quando José João Abrantes deixar efetivamente o cargo.

"Nós só podemos avançar com uma eleição para os juízes do Tribunal Constitucional se esse lugar estiver vago", defendeu André Ventura, desafiando o presidente deste tribunal a "decidir se fica ou se não fica".

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Questionado diretamente sobre os três juízes que já deixaram o Palácio Ratton, o presidente do Chega respondeu: "Tem que se avançar com esses três, parece-me uma evidência".

André Ventura falava aos jornalistas à margem da visita a uma exploração agrícola, o último ponto das jornadas parlamentares do Chega, que decorreram na segunda-feira e esta terça-feira, em Viseu.

O líder do Chega disse que vai pedir uma reunião sobre este assunto ao presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, e indicou que falaria ainda esta tarde com o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares.

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Esta posição surge depois da notícia do jornal Público que refere que o presidente da Assembleia da República adiou a entrega dos candidatos ao Tribunal Constitucional, prevista para esta terça-feira, aguardando que a renúncia do presidente deste órgão para definir uma nota data.

A renúncia, datada de 13 de maio, foi publicada hoje em Diário da República. essa declaração, José João Abrantes renuncia às suas funções de juiz e presidente do Tribunal Constitucional, com efeitos "apenas na data da posse do juiz que for designado para substituí-lo".

"Se o Presidente do Tribunal Constitucional quer sair, tem uma forma de o fazer, faz uma carta de renúncia. Não é dizer uma renúncia quando e se a Assembleia eleger outra pessoa", sustentou o líder do Chega.

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André Ventura criticou esta formulação e defendeu que o TC não pode ser "um depósito de jogada política", considerando que "é o que está a acontecer, em que um juiz sai para que o PS tenha mais um lugar".

O líder do Chega recusou "criar precedentes à imagem de cada pessoa, e à medida de cada uma das situações".

Ventura pediu também ao PS que "resolva a sua própria casa" e decida o que quer fazer.

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"E o PSD tem que perceber, e espero que hoje tenha percebido, que negociatas com o PS dão nisto, e eu avisei o primeiro-ministro disto", afirmou, deixando um aviso: "Espero só que todos parem para pensar, mas sobretudo que o primeiro-ministro perceba o buraco em que se meteu".

Na ocasião, o líder do Chega voltou a referir-se às alterações à lei do trabalho e insistiu que "esta não é a reforma laboral que o país precisa" e defendeu que o seu partido "tem negociado e tem dialogado de forma correta" e tem "a razão" do seu lado.

No dia em que a proposta de lei do Governo deu entrada na Assembleia da República, André Ventura disse que vai analisar o documento e voltou a colocar a ónus do lado do executivo.

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"O Governo tem de perceber agora se quer ir contra o seu próprio país, se quer ir contra aquilo que é o espírito nacional nesta matéria, ou se quer voltar atrás, como já voltou nalgumas matérias que o Chega referiu, como o caso da amamentação, como o caso das formas dos contratos, como o caso dos despedimentos, ou se não vai querer fazer. Agora é um caminho que não é do Chega, agora é um caminho que, como eu disse ontem e reforço hoje, agora é um caminho que é do Governo", disse.

Ventura quer que o primeiro-ministro diga se vai ao encontro das reivindicações do Chega ou se vai "manter a inflexibilidade".

O presidente do Chega mantém a condição da descida da idade da reforma, uma "questão decisiva e importante" e disse que é preciso que o Governo "diga se está disponível".

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"O Governo sabe que isso para nós é um ponto muito, muito importante, e nós não deixamos cair coisas que são pontos importantes", indicou, afirmando que é preciso "começar a fazer o caminho de inflexão" para que a reforma possa acontecer "a partir dos 40 anos de descontos".

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