PSD, CDS-PP, IL e Chega consideram que comissão "seria apenas um circo político".
PSD, CDS-PP, IL e Chega na Assembleia Municipal de Lisboa vão inviabilizar a proposta do PS de criação de uma comissão eventual para esclarecer o acidente com o elevador da Glória, considerando que "seria apenas um circo político".
Em resposta à agência Lusa, os grupos municipais de PSD, CDS-PP, IL e Chega, que juntos formam uma maioria de direita, com 38 eleitos no total de 75 deputados que integram a Assembleia Municipal de Lisboa (AML), criticaram a ideia de criar uma comissão eventual sobre o descarrilamento do elevador da Glória, inviabilizando a proposta do PS.
Na terça-feira, dia em que se assinalaram seis meses sobre o descarrilamento do elevador da Glória, que provocou 16 mortes e 24 feridos, o PS propôs a constituição de uma comissão eventual para acompanhamento e esclarecimento do acidente, defendendo que a Assembleia Municipal, enquanto órgão fiscalizador da atividade do executivo camarário, "tem o dever de assegurar que todas as entidades envolvidas são ouvidas e que as responsabilidades, diretas ou indiretas, são devidamente apuradas".
Do grupo municipal do PSD, Liliana Fidalgo realçou que, "neste momento, decorrem três investigações", destacando o trabalho do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), que divulgou um relatório preliminar em outubro e "anunciou conclusões públicas para o final deste ano", e referindo que, "em simultâneo, segue uma investigação do Ministério Público para encontrar eventuais responsabilidades criminais e ainda uma terceira a cargo da Carris".
"Assim, o PSD na AML não vê qualquer utilidade, neste momento, em acrescentar qualquer comissão e aguarda serenamente pelas conclusões das entidades capazes e competentes. Uma comissão eventual, neste momento, seria apenas um circo político que não iria contribuir em nada para os importantes trabalhos dessas entidades", expôs Liliana Fidalgo, revelando que o partido votará contra.
O representante do grupo municipal do CDS-PP, Francisco Camacho, disse que o seu partido "votará contra" a proposta do PS, por considerar que "a criação de uma comissão na Assembleia Municipal, nesta fase, apenas introduziria ruído político a uma matéria que deve ser tratada com objetividade técnica e não com dramatização pública".
"Não estamos disponíveis para isso. Encenações mediáticas, contributos para o alarmismo, ou a criação de estruturas paralelas, nada acrescentam ao esclarecimento efetivo da situação. Pelo contrário, desviam atenções e consomem energia que deve estar concentrada na verdadeira prioridade: o apuramento da verdade dos factos. [...] O que Lisboa precisa é de verdade, responsabilidade e soluções. Não de teatro político", declarou o eleito do CDS-PP.
Em representação do grupo municipal da IL, José Miguel Cerdeira disse que o descarrilamento do elevador da Glória "precisa de respostas" e "é legítimo" que a AML as procure e as exija, porque "o acidente foi demasiado grave para ser de outro modo", ressalvando que este órgão deliberativo do município já tem os meios nas comissões permanentes para exigir essas respostas, adiantando que "o tema cabe bem dentro da 5.ª comissão já estabelecida".
"O que o PS quer fazer é instrumentalizar a tragédia, criando uma comissão específica para o assunto que, reforçamos, não teria qualquer poder diferente dos poderes que a 5.ª comissão permanente já tem. Este acidente foi demasiadamente sério e trágico para ser tratado com leviandade com o único objetivo de fazer aproveitamento político", afirmou o deputado da IL.
O grupo municipal do Chega adiantou que "não irá apoiar" a iniciativa do PS de criar uma comissão eventual para analisar o acidente com o elevador da Glória, considerando que as competências da Assembleia Municipal "são de natureza política e não técnica" e afirmando que as responsabilidades políticas já foram "amplamente discutidas nos dias imediatamente seguintes e, posteriormente, sufragadas nas eleições autárquicas de 12 de outubro".
Luís Pereira Nunes, do Chega, referiu ainda que a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) decidiu não avançar com um relatório próprio sobre o acidente, por entender "não serem necessárias diligências adicionais", na sequência das conclusões do GPIAAF e de restantes entidades envolvidas.
"Não se compreende, por isso, que após a atual presidente da AMT, engenheira Ana Paula Vitorino - que integrou governos do Partido Socialista enquanto ministra do Mar e secretária de Estado - ter considerado o relatório esclarecedor, venha agora o grupo municipal do PS propor a criação de uma nova comissão, cujo objetivo mais parece uma chicana política", criticou o deputado do Chega.
No atual mandato (2025-2029), a Assembleia Municipal de Lisboa, constituída por um total de 75 deputados, tem 10 grupos municipais, respetivamente de PS (24), PSD (22), IL (seis), Chega (seis), PCP (cinco), CDS-PP (quatro), Livre (três), BE (dois), PEV (dois) e PAN (um).
O elevador da Glória, muito procurado por turistas no centro de Lisboa, descarrilou no dia 03 de setembro, com uma das duas cabinas a embater violentamente contra um edifício, provocando 16 mortes e mais de 20 feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades.
Na sequência do relatório preliminar do GPIAAF, divulgado em outubro e que revelou que o cabo que unia as duas cabinas do elevador da Glória, e que cedeu, não respeitava especificações nem estava certificado para transporte de pessoas, o então presidente da Carris, Pedro de Brito Bogas, demitiu-se.
Em dezembro, a Câmara de Lisboa aprovou uma nova administração da Carris, liderada por Rui Lopo, que era, até então, administrador na TML - Transportes Metropolitanos de Lisboa.
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