Ministério de Paulo Rangel exortou ainda as autoridades israelitas a "garantirem e praticarem a liberdade de religião e de culto".
O Ministério dos Negócios Estrangeiros condenou este domingo a polícia israelita que impediu o Patriarca Latino de Jerusalém de celebrar a missa de Domingo de Ramos no Santo Sepulcro.
"O impedimento do acesso do Cardeal Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém, à igreja do Santo Sepulcro para as celebrações do Domingo de Ramos, que seriam apenas retransmitidas, merece a mais firme reprovação", escreveu o Ministério dos Negócios Estrangeiros na rede social X (antigo Twitter).
O ministério de Paulo Rangel exortou ainda as autoridades israelitas a "garantirem e praticarem a liberdade de religião e de culto".
A polícia israelita impediu o Patriarca Latino de Jerusalém e o padre da Igreja do Santo Sepulcro de entrarem no local sagrado para celebrarem a missa do Domingo de Ramos, "pela primeira vez em séculos", afirmou hoje o Patriarcado Latino.
"Ambos foram detidos no caminho, enquanto se deslocavam a título privado [...] e foram obrigados a voltar para trás", indicou o Patriarcado Latino de Jerusalém e da Custódia da Terra Santa, liderado por Pierbattista Pizzabala.
"Consequentemente, e pela primeira vez em séculos, os líderes da Igreja foram impedidos de celebrar a missa do Domingo de Ramos na Igreja do Santo Sepulcro", acrescentaram, numa altura em que Israel encerrou todos os locais sagrados da Cidade Velha de Jerusalém Oriental, invocando razões de segurança.
Para as autoridades religiosas, este impedimento "constitui um grave precedente" e "demonstra uma falta de consideração pela sensibilidade de milhares de milhões de pessoas em todo o mundo que, nesta semana, voltam o olhar para Jerusalém".
O Governo israelita explicou que a decisão foi tomada por motivos de segurança, devido às restrições impostas pelo exército como medida de precaução face a possíveis ataques iranianos.
O acontecimento está a ser contestado por vários países.
A contestação italiana foi liderada pela primeira-ministra do país, Giorgia Meloni, que manifestou a sua condenação inequívoca.
"Impedir a entrada do Patriarca de Jerusalém e do padre da Igreja do Santo Sepulcro constitui uma ofensa não só para os crentes, mas para toda a comunidade que reconhece a liberdade religiosa", afirmou.
A primeira reação internacional fora da Itália veio do presidente francês Emmanuel Macron, que também se juntou à condenação de Roma.
A Jordânia também rejeitou o ocorrido, que classificou como "uma violação flagrante do direito internacional, do direito internacional humanitário (...) e uma violação da liberdade de acesso irrestrito aos locais de culto".
Também o Brasil repudiou o impedimento.
O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, considerou igualmente hoje um "lamentável abuso de poder" que a polícia israelita tenha impedido o Patriarca Latino de Jerusalém de entrar no local sagrado para celebrar a missa do Domingo de Ramos.
Citado pela agência EFE, o presidente de Israel, Isaac Herzog, contactou o chefe da Igreja Católica na Terra Santa, Pierbattista Pizzaballa, para lhe transmitir o seu "profundo pesar".
Em comunicado, Herzog reafirmou o "compromisso do Estado de Israel com a liberdade religiosa para todas as confissões".
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