Luís Neves disse que a sinistralidade rodoviária "é uma chaga nacional que exige uma resposta de todos"
O ministro da Administração Interna disse esta quarta-feira que há comportamentos nas estradas portuguesas "objetivamente criminosos", considerando que a segurança rodoviária "é uma chaga nacional que exige uma resposta de todos".
"Basta. Não nos conformamos. A sinistralidade rodoviária não pode abrir telejornais como um homicídio ou um ataque terrorista. Mas são mortes violentas, são ferimentos graves, são vidas interrompidas para sempre", disse Luís Neves na cerimónia de tomada de posse do novo presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), Pedro Clemente, onde anunciou várias medidas para reduzir os acidentes nas estradas portuguesas.
Segundo o governante, a maioria dos acidentes está associada a fatores humanos como a velocidade, álcool, distração e falta de educação e civismo.
"Sabemos também que há comportamentos que são objetivamente criminosos. Não estou a querer dramatizar, é objetivo, é real. Há condutas que são criminosas e têm que ser tratadas como tal. Também aqui nos estamos a aproximar com o Ministério Público", precisou.
Luís Neves disse que a sinistralidade rodoviária "é uma chaga nacional que exige uma resposta de todos", avançando que vai ser feito "um esforço redobrado de fiscalização e também de sensibilização".
O ministro deu conta que Portugal tem "acidentes a mais" e "comportamentos de risco em excesso".
"Os dados mais recentes inquietam-nos muito, mas mesmo muito. Portugal regista 58 mortos por um milhão de habitantes, acima da média europeia que se cifra nos 45. Somos o sexto país dos 27 em taxa de mortalidade. Mais preocupante ainda, estamos há vários anos numa trajetória de estagnação", afirmou.
O ministro lamentou que os "sinais recentes agravam a preocupação", indicando que "só no primeiro trimestre deste ano as vítimas mortais aumentaram 22%" e neste mês de abril as vítimas continuam a aumentar.
Segundo o ministro, desde 1 de janeiro e até terça-feira já tinham morrido 145 pessoas nas estradas portuguesas, mais 42 do que em igual período do ano passado", significando que "em poucos meses desapareceu uma pequena aldeia do interior do Portugal".
O ministro salientou também que uma parte substancial dos acidentes mais graves acontece nas vias urbanas e acrescentou que "não é possível continuar a ter pessoas mortas nas passadeiras. Não é possível continuar a ter pessoas mortas em passadeiras em que os sinais vermelhos são ultrapassados com a maior desfaçatez".
Perante esta "realidade trágica que é a sinistralidade", o Governo anunciou uma série de medidas como a reativação da Brigada de Trânsito da GNR quase 20 anos depois de ter sido extinta, um novo Código da Estrada, mais fiscalização, passando as operações 'stop' a serem realizadas sem aviso prévio, mais radares de controlo de velocidade, alargamento dos critérios de cassação das cartas de condução, e maior punição da condução sob o efeito de álcool.
"Para quem não mudar [os comportamentos nas estradas] seremos exigentes. Seremos firmes e inflexíveis. Porque nenhuma vida pode ser perdida por uma ação criminosa, por uma indiferença, por uma negligência ou por uma irresponsabilidade", disse ainda, reconhecendo que esta mudança "vai demorar muito tempo".
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