Antigo presidente do PSD rejeita estar a "dissimular" candidatura, mas vaticina que o partido pode perder as eleições para o Chega.
O antigo primeiro-ministro Passos Coelho assumiu esta segunda-feira que se recandidata "quando quiser", defendendo a necessidade de acordos com Chega e IL, sob pena de aqueles partidos virem a 'lucrar' eleitoralmente.
"Acho natural que as pessoas possam querer especular ou ter qualquer outra associação de ideias sobre o que são as minhas intenções (...), mas quando me perguntam, diretamente, sobre quais são, não vejo nenhuma razão para (...) dissimular. Quando eu quiser candidatar-me, candidato-me, e anuncio que me vou candidatar", disse, em entrevista ao jornal ECO.
O antigo presidente do PSD diz-se "de bem com a política" e "de bem com o País", não andando "à procura de nada em particular" e sem quaisquer "desforras para fazer".
"Encontro-me de bem comigo, com a vida e com o Mundo. Por essa razão, não sinto necessidade de correr atrás de nada. Agora, não sinto nenhuma necessidade de excluir qualquer coisa que venha a fazer no futuro, porque razão haveria de o fazer?", afirmou.
Passos Coelho analisou o sucedido entre 2011 e 2015, quando teve responsabilidades governativas, durante a intervenção externa a que Portugal esteve sujeito, e a formação da denominada 'geringonça' (PS, PCP, BE e 'Os Verdes') entretanto.
"O PS, contra a ameaça do regresso do PSD ao Governo, esvaziou o BE e o PCP, o que é uma coisa profundamente irónica. O problema é que essa história não é hoje repetível, porque o PSD não pode esperar o mesmo exercício de um parlamento tripartido", continuou.
Para o antigo chefe de governo da coligação Portugal à Frente (PSD/CDS-PP), que teve o atual primeiro-ministro, Luís Montenegro como líder parlamentar, tanto BE como PCP, naquela altura, "esvaziaram-se para o PS com o receio de que o PSD e o dr. Rui Rio pudessem ganhar as eleições".
"Mas não creio que o Chega se esvazie, nem que a IL se esvazie, porque o PS pode ganhar as eleições futuras. Eu, de resto, até acho muito pouco provável que, no dia em que o PSD perca as eleições, seja o PS a ganhá-las...", prognosticou, adiantando que, "muito provavelmente, é o Chega".
Passos Coelho considerou ter "sido preferível procurar um caminho de estabilidade", ou seja, de entendimento com os partidos do espetro político da direita.
"Arrisco dizer que, se esse caminho tivesse sido prosseguido, das duas, uma. Ou não teria sido bem-sucedido porque os líderes do Chega e da IL não teriam aceitado fazê-lo, mas seriam responsabilizados pelos eleitores por terem recusado dar condições de estabilidade. E se tivessem acedido e criado um quadro de estabilidade, estaríamos melhor, seguramente", disse.
Antes, o ex-líder social-democrata já tinha explicitado a sua tese: "é mais fácil que, quando não se procura uma base comum, as divergências se acentuem para permitir evidenciar as diferenças, do que quando procuramos à partida um caminho mais comum".
"Neste caso, ele teria de ser procurado entre o Chega e a IL. É possível construir ou não um acordo de legislatura? Eu diria: Só o tempo demonstraria se era possível ou não, mas desejável era, e deveria ter sido tentado. É desejável ter um quadro de estabilidade", declarou.
O presidente do PSD entre 2010 e 2018 reiterou a necessidade de reformas políticas em Portugal, uma vez que tem sido cumprida "a disciplina orçamental que não se cumpriu durante muitos anos".
"Mas uma coisa é não estarmos à beira da bancarrota, outra coisa é desperdiçarmos as condições políticas que as pessoas procuraram dar quando expressaram uma vontade de mudar, justamente para reformar o País, para regressar a uma visão reformista. E o PSD vendeu as eleições com essa missão", atestou.
Passos Coelho disse que não acompanha "há muitos anos o espaço mediático televisivo", preferindo "os jornais, sobretudo".
"E tenho dúvidas de que o projeto reformista tenha sido o que tivesse sido mais destacado na comunicação. Ouvi muito a mensagem da pacificação... Que era preciso pacificar, pacificar os professores, pacificar os setores que estavam... os pensionistas", criticou, na extensa entrevista ao ECO.
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