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Nuno Morais Sarmento, o "advogado que não estudou para ser político", mas foi

Foi ministro, deputado e vice-presidente do PSD e influenciou durante anos a vida do partido. Chegou a admitir avançar para a liderança, mas os timings e a saúde impediram-no.

07 de março de 2026 às 11:57

Nuno Morais Sarmento, que morreu este sábado aos 65 anos, foi advogado, político, conhecido pelo 'petit nom' de 'boxeur' pela sua combatividade, ministro e "número dois" no PSD, ao lado de Durão Barroso.

Há dez anos, em 2016, depois da vitória do PSD e CDS nas legislativas, em que Pedro Passos Coelho não teve maioria no parlamento e que abriu caminho ao entendimento à esquerda do PS - a "geringonça" -- Morais Sarmento admitiu candidatar-se à liderança. Não avançou, mas admitiu: "No futuro não estou impedido de o ser no momento em que o entender."

Numa altura em que já estava doente com cancro do pâncreas, um dos seus últimos atos partidários aconteceu no congresso do PSD de 2023. Nuno Morais Sarmento ofereceu a Montenegro um "pin" do PPD/PSD, de 1974 ou 1975, que uma militante garantiu ter pertencido ao fundador Francisco Sá Carneiro.

E deixou o conselho ao líder em vésperas de legislativas que o PSD ganhou: "Manter cabeça fria e ter sempre presente que o foco são as eleições e o adversário o PS", "todo o PS", fazendo um apelo a entendimentos à direita, com CDS e IL.

Advogado e político, conhecido pela sua combatividade, Nuno Morais Sarmento foi vice-presidente do PSD com Durão Barroso, Pedro Santana Lopes e Rui Rio e ministro da Presidência do XV e XVI Governos Constitucionais, entre 2002 e 2005, assumindo neste último também a função de ministro de Estado.

Nuno de Albuquerque de Morais Sarmento nasceu em 31 de janeiro de 1961, em Lisboa, e preferia definir-se como "um advogado que não estudou para ser político".

Formou-se em Direito pela Universidade Católica, onde fez também uma pós-graduação em Direito Comunitário.

Antes, concluíra os estudos secundários no Liceu Camões, onde integrou a primeira Associação de Estudantes legalizada após o 25 de abril de 1974. Também praticou boxe de competição no Sporting Clube de Portugal, o que lhe valeu, no PSD, o 'petit nom' de 'boxeur' pela sua combatividade na política.

Foi assessor jurídico do Alto-Comissário para o Projeto Vida, membro da Comissão Nacional de Proteção de Dados Pessoais, representou Portugal na Autoridade de Controlo Comum de Schengen e foi membro do Conselho Superior do Ministério Público.

Foi advogado na PLMJ, sociedade que integrava desde 1995, e era sócio na área de Resolução de Litígios.

Antes de assumir as funções de ministro da Presidência, aos 41 anos, revelou numa entrevista televisiva que foi toxicodependente e que tinha ultrapassado o problema com a ajuda da família e de alguns amigos, como Durão Barroso e José Miguel Júdice.

Começando por militar na JSD e depois no PSD, Nuno Morais Sarmento mostrou desde sempre apoio incondicional a Durão Barroso, de quem disse ter sido vice-presidente e 'número "dois' "por convicção".

Em 1995, no congresso da sucessão de Cavaco Silva, esteve ao lado de Durão, que perdeu para Fernando Nogueira, e passado um ano apoiou Marcelo Rebelo de Sousa para liderança, sendo um dos seus conselheiros, a par de outro "barrosista", José Luís Arnaut.

Além de Durão Barroso foi também vice-presidente de Pedro Santana Lopes e, sob a liderança de Manuela Ferreira Leite, presidiu ao Conselho de Jurisdição Nacional do PSD.

Nos últimos anos um cancro no pâncreas obrigou-o a prolongadas hospitalizações e várias cirurgias. Depois disso, foi presidente da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) entre agosto de 2024 e janeiro deste ano, quando apresentou a demissão invocando falta de condições pessoais e de saúde, e foi substituído pelo amigo de quem foi "número dois" -- Durão Barroso.

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