Foi aprovada, por uma ampla maioria, a estratégia política do PSD para os próximos dois anos.
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O secretário-geral do PSD, José Silvano, apontou esta quarta-feira como "principal desígnio" da estratégia do partido tornar Rui Rio "o próximo primeiro-ministro", e reiterou a necessidade das reformas da justiça e do sistema político, mas ficou sem resposta dos socialistas.
Numa declaração política na Assembleia da República sobre o 38.º Congresso do PSD, que se realizou no passado fim de semana, José Silvano resumiu as prioridades apontadas no discurso de encerramento do presidente do PSD, e resumiu o objetivo.
"Foi aprovada, por uma ampla maioria, a estratégia política do PSD para os próximos dois anos, cujo principal desígnio é preparar o caminho para ganhar as próximas eleições legislativas e tornar o nosso presidente do partido, Rui Rio, o próximo primeiro-ministro de Portugal", referiu, acrescentando que "neste percurso" os sociais-democratas irão apostar "fortemente" nas regionais dos Açores, este anos, e nas autárquicas do próximo ano.
Apontando que a marca do PSD será o "reformismo", José Silvano definiu - tal como fez Rio no domingo - duas reformas estruturais "que só podem concretizar-se em diálogo entre partidos, porque se prendem com questões de regime", a reforma do sistema político e a da justiça.
Com Rio a assistir a esta parte do debate na primeira fila da bancada do PSD, o PS não respondeu ao repto e contrapôs com o que é o seu entendimento de reformas, que passa por apostar nos transportes públicos, na habitação, nas energias renováveis e na escola gratuita.
"Vão passar a acompanhar-nos nestas reformas estruturais?", questionou o deputado e dirigente do PS Porfírio Silva, que disse ainda não ter percebido o posicionamento do PSD ao falar "numa social-democracia que não é de direita nem de esquerda".
Já BE e PCP manifestaram-se preocupados com a intenção dos sociais-democratas de reverem o sistema político, com o líder parlamentar bloquista a acusar o PSD de "querer conseguir na secretaria os votos que nas urnas não consegue" e João Oliveira, presidente da bancada comunista, a avisar que "daí não vem coisa boa".
João Oliveira, à semelhança das restantes bancadas, saudou o Congresso do PSD, mas disse fazer votos de que não atinja o objetivo que definiram de regressar ao poder.
"Seria o regresso da tragédia que vivemos entre 2011 e 2015", disse, lamentando não ter ouvido na reunião magna dos sociais-democratas "uma palavra de autocrítica" sobre a governação PSD/CDS nesse período.
Pedro Filipe Soares apontou a falta de "suspense" do Congresso do PSD, merecendo, nesta parte, a concordância de José Silvano.
"Dramatizações e 'suspense' não são connosco, nisso somos meninos de coro comparados com o atual primeiro-ministro", ironizou o secretário-geral social-democrata.
Na sua saudação ao Congresso do PSD, o PS aproveitou para um 'remoque' ao CDS-PP, e a uma referência implícita à recente demissão do vogal da Comissão Executiva Abel Matos Santos.
"Estamos certos de que nenhum dos dirigentes eleitos no Congresso do PSD vai ter de se demitir nos próximos dias por ter dado vivas a Salazar e à PIDE", disse Porfírio Silva.
A líder parlamentar do CDS-PP, Cecília Meireles, não respondeu a esta provocação, mas devolveu-a num outro tema à bancada do PS.
"A reforma mais particular que tenho visto nos últimos anos é a reforma do crescimento dos governos, é de facto o maior Governo de sempre, com empregos para toda a família socialista", apontou.
Ao PSD, Cecília Meireles definiu-o como "aliado tradicional e preferencial", caminho corroborado por Silvano, com uma metáfora na área dos transportes.
"Quanto à alternativa ao socialismo, estamos perfeitamente de acordo e disponíveis: o comboio começa em andamento, começou a seguir ao Congresso e acho que vai continuar nessa matéria", assegurou, na véspera de um encontro entre os presidentes dos dois partidos.
Por parte do PAN, a líder parlamentar Inês Sousa Real lamentou não ter ouvido no discurso do secretário-geral do PSD prioridade ao combate às alterações climáticas, com Silvano a assegurar que o ambiente está no centro das preocupações do partido há 20 anos.
O secretário-geral do PSD reiterou, na resposta ao PS, que o posicionamento do partido é "no centro do espaço político, que é verdadeiramente social-democrata".
"Não tenha dúvidas que, dentro de pouco tempo, os portugueses que escolhem o centro e têm votado no PS votarão no PSD", vaticinou Silvano.
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