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António Leitão Amaro respondeu às críticas do relatório, citadas pelo deputado Rui Rocha (IL), de que a "governação da crise revelou insuficiências de coordenação".
O ministro da Presidência afirmou que o plano Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR) responde a muitas das dúvidas e críticas do relatório da Presidência da República sobre a resposta do Estado ao comboio de tempestades na zona centro.
Falando na Comissão Parlamentar dos Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, António Leitão Amaro respondeu às críticas do relatório, citadas pelo deputado Rui Rocha (IL), de que a "governação da crise revelou insuficiências de coordenação" e "em vários domínios continua a depender de excesso de improviso".
"O diagnóstico feito pelo relatório usa linguagem própria e termos próprios, mas, genericamente, está em linha com a avaliação que o Governo tem vindo a fazer e que justificou a adoção do PTRR", disse o ministro, que se distancia do tom do relatório da Presidência Aberta.
"Não diria que escreveria tudo o que aí está, nem escreveria da mesma forma, nem terá sido provavelmente o senhor Presidente da República" a escrever, porque "o que se percebe é que é um relato de relatos que recebeu e de avaliações casuísticas de pessoas com quem falou", explicou.
"Em termos de coordenação seguimos o planeamento", mas, "em muitas outras dimensões, há progressos a fazer na resiliência, na preparação da resposta, na disponibilização de meios à população, na chamada literacia de crise e emergência", entre outras matérias, admitiu o governante.
Ao lidar com a depressão Kristin, que afetou a região centro e em particular Leiria, o Governo seguiu, "não por improviso, mas, por planeamento, um manual e um conjunto de passos de resposta política de coordenação e comunicação política", disse Leitão Amaro, recordando que ele próprio fez uma comunicação ao país.
O ministro disse ter insistido que essa comunicação fosse no Parlamento, para "dar informações à população sobre o que estava a acontecer", porque a "maior parte das pessoas em Lisboa não tinha noção".
Em resposta, Rui Rocha salientou que o relatório da Presidência continha "críticas relativas à coordenação" do poder central, que deu uma resposta mais insuficiente do que as autarquias.
"Nós levamos todos os atos e interações com o senhor PR muito a sério", respondeu Leitão Amaro, prometendo "levar a sério" o documento, como "recomendações para o futuro".
Fabian Figueiredo (BE) também insistiu no tema e acusou o Governo de ter deixado "o país de portas escancaradas para o evento climático mais destrutivo" da história recente, apontado os atrasos na resposta, a mobilização tardia das forças armadas ou a baixa taxa resolução dos 30 mil pedidos de apoio, entre outras matérias.
Na audição, o deputado Rui Rocha também questionou o governante sobre a dimensão do que classificou como futura "central de comunicação do governo", referindo-se à secretaria-geral adjunta para a comunicação.
Em resposta, Leitão Amaro salientou que o quadro de pessoal é de cerca de duas dezenas de pessoas e minimizou a polémica sobre o caso ou sobre "os fantasmas que de vez em quando há".
Trata-se, disse, de um "departamento de comunicação como existe em todas as organizações públicas e privadas que têm de comunicar com o público", salientando que é um organismo técnico e não político.
"Caramba, estamos a tornar isso numa central de comunicação que controla", lamentou, recordando que, atualmente só há "assessores políticos nos gabinetes a fazer comunicação e o Governo que chega não tem capacidade instalada para fazer comunicação" dentro do Estado.
Esse novo departamento "precisa de ferramentas e precisa de investimento", porque é isso que "um país normal faz", ao investir na comunicação pública.
"Com receio da política de tabloides começamos a amarrar-nos numa lógica, não de miserabilismo, mas de incompetência", concluiu.
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