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PTRR responde a questões do relatório da Presidência da República sobre resposta aos danos do mau tempo na zona Centro

António Leitão Amaro respondeu às críticas do relatório, citadas pelo deputado Rui Rocha (IL), de que a "governação da crise revelou insuficiências de coordenação".

27 de maio de 2026 às 17:48

O ministro da Presidência afirmou que o plano Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR) responde a muitas das dúvidas e críticas do relatório da Presidência da República sobre a resposta do Estado ao comboio de tempestades na zona centro.

Falando na Comissão Parlamentar dos Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, António Leitão Amaro respondeu às críticas do relatório, citadas pelo deputado Rui Rocha (IL), de que a "governação da crise revelou insuficiências de coordenação" e "em vários domínios continua a depender de excesso de improviso".

"O diagnóstico feito pelo relatório usa linguagem própria e termos próprios, mas, genericamente, está em linha com a avaliação que o Governo tem vindo a fazer e que justificou a adoção do PTRR", disse o ministro, que se distancia do tom do relatório da Presidência Aberta.

"Não diria que escreveria tudo o que aí está, nem escreveria da mesma forma, nem terá sido provavelmente o senhor Presidente da República" a escrever, porque "o que se percebe é que é um relato de relatos que recebeu e de avaliações casuísticas de pessoas com quem falou", explicou.

"Em termos de coordenação seguimos o planeamento", mas, "em muitas outras dimensões, há progressos a fazer na resiliência, na preparação da resposta, na disponibilização de meios à população, na chamada literacia de crise e emergência", entre outras matérias, admitiu o governante.

Ao lidar com a depressão Kristin, que afetou a região centro e em particular Leiria, o Governo seguiu, "não por improviso, mas, por planeamento, um manual e um conjunto de passos de resposta política de coordenação e comunicação política", disse Leitão Amaro, recordando que ele próprio fez uma comunicação ao país.

O ministro disse ter insistido que essa comunicação fosse no Parlamento, para "dar informações à população sobre o que estava a acontecer", porque a "maior parte das pessoas em Lisboa não tinha noção".

Em resposta, Rui Rocha salientou que o relatório da Presidência continha "críticas relativas à coordenação" do poder central, que deu uma resposta mais insuficiente do que as autarquias.

"Nós levamos todos os atos e interações com o senhor PR muito a sério", respondeu Leitão Amaro, prometendo "levar a sério" o documento, como "recomendações para o futuro".

Fabian Figueiredo (BE) também insistiu no tema e acusou o Governo de ter deixado "o país de portas escancaradas para o evento climático mais destrutivo" da história recente, apontado os atrasos na resposta, a mobilização tardia das forças armadas ou a baixa taxa resolução dos 30 mil pedidos de apoio, entre outras matérias.

Na audição, o deputado Rui Rocha também questionou o governante sobre a dimensão do que classificou como futura "central de comunicação do governo", referindo-se à secretaria-geral adjunta para a comunicação.

Em resposta, Leitão Amaro salientou que o quadro de pessoal é de cerca de duas dezenas de pessoas e minimizou a polémica sobre o caso ou sobre "os fantasmas que de vez em quando há".

Trata-se, disse, de um "departamento de comunicação como existe em todas as organizações públicas e privadas que têm de comunicar com o público", salientando que é um organismo técnico e não político.

"Caramba, estamos a tornar isso numa central de comunicação que controla", lamentou, recordando que, atualmente só há "assessores políticos nos gabinetes a fazer comunicação e o Governo que chega não tem capacidade instalada para fazer comunicação" dentro do Estado.

Esse novo departamento "precisa de ferramentas e precisa de investimento", porque é isso que "um país normal faz", ao investir na comunicação pública.

"Com receio da política de tabloides começamos a amarrar-nos numa lógica, não de miserabilismo, mas de incompetência", concluiu.

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