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A menos de uma semana de se completarem quatro meses da depressão, Gonçalo Lopes considerou que a resposta que for dada ao concelho será uma "mensagem para todo o país".
O presidente da Câmara de Leiria disse esta sexta-feira que o concelho precisa de uma resposta justa do PTRR face ao impacto da depressão Kristin e defendeu que "um país mais coeso precisa de confiar mais nas suas autarquias".
Ao falar na sessão solene do Dia do Município, e referindo-se ao PTRR -- Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência, Gonçalo Lopes afirmou que "Leiria precisa de uma resposta proporcional e justa" perante a dimensão dos danos e o esforço já feito.
"E justa para as famílias, para as empresas, para as associações, para as freguesias, para as instituições e para todos aqueles que continuam a reconstruir o que perderam", salientou o autarca socialista.
A menos de uma semana de se completarem quatro meses da depressão, Gonçalo Lopes considerou que a resposta que for dada ao concelho será uma "mensagem para todo o país" e "dirá, para memória futura, se perante uma tragédia desta dimensão o Estado está ao lado das comunidades ou se as deixa entregues a si próprias".
Acreditando que "quem decide saberá olhar para além dos formulários e compreender a dimensão humana, social e territorial desta reconstrução", o presidente do município sublinhou que "Leiria não pede privilégios", nem mais do que lhe é devido, mas também não aceitará "menos do que aquilo que é justo".
Gonçalo Lopes observou ainda que durante muito tempo houve a ideia de que "Leiria é um gigante económico e um anão político", mas "o tempo do anão político terminou" e o concelho tem voz e não se cala.
O PTRR é um programa de resposta à catástrofe climática que assolou várias regiões do país entre 28 janeiro (depressão Kristin) e 15 de fevereiro, e que visa preparar o país "para um futuro mais seguro, resiliente e competitivo, segundo o Governo.
Num discurso centrado no impacto da depressão Kristin, o autarca observou que aquela mostrou "o papel essencial das autarquias", sendo os autarcas "quem resolve quando tudo falha".
Por outro lado, sustentou que a tempestade ensinou que "um país mais coeso precisa de confiar mais nas autarquias", mas também de mais recursos e capacidade, e de mais respeito pelos órgãos autárquicos, comunidades intermunicipais e comunidades locais.
"Nenhum país será verdadeiramente coeso se olhar para o território apenas a partir de gabinetes distantes, com mapas frios e critérios indiferentes à realidade concreta de cada comunidade".
Sobre o futuro, referiu que o desejo é que "Leiria seja um território de referência na resposta aos desafios climáticos, na proteção civil, na prevenção, na gestão da floresta, na inovação e na forma como planeia, decide e executa".
"Temos de transformar este problema num impulso de desenvolvimento" e garantir que "as próximas gerações herdam um território mais preparado", preconizou Gonçalo Lopes.
Na sessão, o vereador do Chega, Luís Paulo Fernandes, afirmou que não se pode permitir que "o concelho fique paralisado e isolado", para sublinhar que "governar é precaver, não é remediar a correr, governar não é ter tempo para provocar ou vitimizar ou para desculpar ou para atacar a oposição na Câmara".
Defendendo ser "urgente exigir do Governo central uma vigilância apertada à reciprocidade da proporcionalidade das medidas destinadas" ao concelho, nomeadamente do PTRR e dos apoios à reconstrução, Luís Paulo Fernandes disse ainda que "Leiria não pode continuar a ser tratada como um parente pobre".
Já o vereador do PSD Nuno Serrano salientou que "ainda há feridas para sarar, há muito caminho para percorrer, há infraestruturas por recuperar, equipamentos por melhorar e freguesias onde o apoio precisa de ser mais rápido e mais eficaz".
"Há obras, há decisões, há investimentos que não podem ficar para depois. E se queremos honrar esta resiliência, em transformar os desafios em oportunidades, precisamos de olhar para o futuro com ambição", para uma "Leiria mais sustentável, mais acessível e mais inclusiva", acrescentou.
A sessão solene começou com uma homenagem a José Luís Tinoco, compositor, artista plástico e arquiteto que morreu este ano, e teve como orador convidado o ex-ministro da Cultura Pedro Adão e Silva.
Foi também marcada pela atribuição de medalhas e distinções e por um "enorme agradecimento coletivo" a todos os que ajudaram o município a minorar o impacto do mau tempo.
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