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Rui Tavares diz que "a inspiração de André Ventura tem como inspiração Vladimir Putin"

André Ventura e Rui Tavares trocam acusações sobre regimes e líderes políticos apoiados por Chega e Livre.

16 de fevereiro de 2024 às 23:11

André Ventura e Rui Tavares trocaram acusações sobre os regimes e líderes políticos apoiados por Chega e Livre, durante um debate transmitido esta sexta-feira pela Sic.

Referindo-se ao político italiano Matteo Salvini, Rui Tavares disse que "a inspiração de André Ventura tem como inspiração Vladimir Putin". O porta-voz do Livre acrescentou que "o partido para onde o Chega vai no Parlamento Europeu é o partido mais pró-Putin" e é "financiado" pelo presidente russo. Apontou também a incoerência de André Ventura em matéria de corrupção, em virtude do apoio ao governo da Hungria, chefiado por Viktor Orbán, cujos familiares "são os mais ricos" do país.

O presidente do Chega contrapôs com o apoio do Livre ao presidente brasileiro, Lula da Silva. "Esteve preso por corrupção e aplaudiram-no de pé no Parlamento", afirmou. Alegou também que o Livre está do lado da Autoridade Palestiniana, "que se recusa a condenar os ataques do Hamas" e de Cuba, que "está a recrutar soldados para a Rússia", enquanto "Itália e Hungria abriram portas aos refugiados ucranianos".

Em matéria de justiça, André Ventura acusou o Livre de ser "contra o aumento de penas" e de querer "mudar o paradigma prisional" em Portugal. "O Livre quer violadores, homicidas e terroristas na rua", considerou o presidente do Chega. Especificamente sobre a corrupção, Rui Tavares contrariou as propostas do Chega. "O confisco de bens é possível à escala da União Europeia", apontou. O Livre prefere apostar na prevenção, "esvaziar de sentido os offshores" e estabelecer um "limiar mínimo do IRC".

Quanto à habitação, o partido propõe a "comparticipação da entrada de casa", ao invés de "o Estado ser fiador", devolvendo-a "após um período de carência, a partir de um fundo público". Já o Chega defende que "a banca deve ajudar a que o crédito à habitação baixe". 

Questionado sobre os custos do aumento de pensões sufragado pelo partido, André Ventura argumentou que o primeiro-ministro, António Costa, "também pediu fundos europeus para resolver o problema da habitação". Na reta final do debate, o presidente do Chega pôs em causa as nacionalizações de empresas propostas pelo Livre. "Sabe quanto custam as reversões de privatizações?", perguntou a Rui Tavares.

Logo no arranque, o historiador introduziu no debate uma questão pessoal, criticando o deputado do Chega Pedro Frazão por ter referido no parlamento que os filhos de Rui Tavares frequentam uma escola internacional privada.

Rui Tavares acusou o deputado do Chega de ter usado a sua família "como arma de arremesso político", lamentou que tenham sido publicadas nas redes sociais fotografias tiradas dentro do estabelecimento de ensino, e justificou a escolha da escola internacional com a condição de diplomata da mãe das crianças.

Este tema acabou por dominar a primeira parte do debate, e na resposta André Ventura disse não ter conhecimento deste assunto e acusou o porta-voz do Livre de "hipocrisia" e de não ser "coerente com o que defende", nomeadamente a escola pública.

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