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Apresentada providência cautelar pelo setor de TVDE contra suspensão de licenças na Madeira

Associação acusa o Governo Regional (PSD/CDS-PP) de violar a Constituição no que respeita ao Direito ao Trabalho e à Livre Iniciativa Económica.

08 de julho de 2026 às 11:41

A Associação Nacional Movimento TVDE (ANM-TVDE) apresentou uma providência cautelar no Tribunal Administrativo e Fiscal do Funchal contra a limitação ao setor imposta na Madeira, foi, esta quarta-feira, anunciado.

Em comunicado, associação do setor TVDE (Transporte Individual e Remunerado de Passageiros em Veículos Descaracterizados a partir de Plataforma Eletrónica) "exige o levantamento imediato da suspensão da emissão de novas licenças e averbamentos para operadores e motoristas na região, uma medida decretada pelo executivo madeirense que está a prejudicar gravemente dezenas de profissionais e empresas".

No documento entregue no tribunal, a associação acusa o Governo Regional (PSD/CDS-PP) de violar a Constituição no que respeita ao Direito ao Trabalho e à Livre Iniciativa Económica.

O executivo madeirense "está a criar um bloqueio artificial de mercado com o único propósito de beneficiar e proteger as empresas que já se encontram instaladas, impedindo a concorrência legítima", acrescenta a ANM-TVDE.

A associação estima que cada motorista impedido de trabalhar na Madeira "esteja a sofrer uma privação direta de rendimento na ordem dos 300 euros semanais, acumulando já perdas financeiras que superam os 10.000 euros por trabalhador desde o início da suspensão".

O setor exige que o tribunal "trave de imediato a moratória do Governo Regional e ordene a retoma imediata da emissão de licenças a todos os operadores que cumprem os requisitos legais".

Em setembro do ano passado, o executivo insular suspendeu a emissão de novas licenças TVDE por seis meses e, em março deste ano, decidiu voltar a suspender por mais quatro meses.

A suspensão "mantém-se enquanto decorre um estudo de avaliação do impacto da atividade TVDE na mobilidade e no ordenamento do transporte" na região autónoma, indicou na altura.

Inicialmente, foi aprovado um decreto-lei no parlamento regional, devolvido pelo então representante da República, que o considerou inconstitucional. Posteriormente, o executivo publicou uma portaria em Jornal Oficial, que também levantou dúvidas a Ireneu Barreto, mas neste caso a pronúncia do TC ainda não foi conhecida.

O juiz conselheiro entendeu que, "ao abrigo do Estatuto Político-Administrativo, o Governo Regional não tem competência para limitar a atividade de TVDE aos operadores e motoristas que já se encontrem a exercer a mesma".

O executivo madeirense, chefiado por Miguel Albuquerque, entende que o setor tem de ser regulado e que não pode haver um mercado livre no setor dos transportes.

A revisão da lei que estabelece o regime jurídico dos TVDE está a ser discutida na especialidade com aprovação pelo parlamento de projetos do PSD e do CDS-PP.

Foi também aprovado na generalidade o projeto da Região Autónoma da Madeira que pretende uma revisão da Lei 45/2018, nomeadamente ao artigo 32.ºA, que regula o acesso ao mercado dos serviços de TVDE, com especificações de aplicações às regiões autónomas.

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