Procurador mandou extrair certidão para uma testemunha ser investigada por prestar falsas declarações em tribunal.
“Fazer faxinas e engraxar botas era normal”, diz militar ouvido no processo da praxe na Força Aérea
Na sexta sessão do julgamento em que 10 militares respondem por praxes violentas na base aérea Nº5, em Monte Real, Leiria, foram ouvidas várias testemunhas, a maioria através de videoconferência. Marco Paulo Silva, militar da Força Aérea como Sargento-Ajudante, era chefe direto das vítimas à data dos factos. “Nunca tive conhecimento de qualquer má relação dos dois soldados. Não me recordo de nada do que se passou na altura, já passaram muitos anos. Não sei de nenhuma dificuldade por parte dos militares”, indicou nas respostas ao procurador do Ministério Público.
Esta testemunha indicou também desconhecer o grupo de WhatsApp ‘Suricatas Raivosos’, onde eram partilhadas as imagens da praxe, “nem sabia que a base tinha um botão de pânico” que podia ser acionado - e que a acusação indica que foi acionado várias vezes durante a noite para impedir o descanso das vítimas.
João Saldanha foi também colega das duas vítimas, apesar de não fazem parte da mesma equipa. “Praxe, praxe, nunca vi. De resto vi coisas normais. Fazer faxinas, engraxar botas era normal e acontece em todas as bases. Nunca vi excessos. Se tivesse visto algo que fosse abusivo ou humilhante eu ia intervir. Por exemplo o caso da corrente no pescoço, a fazer de cão, é humilhar uma pessoa, não tem nada a ver com integração”, descreveu.
Flávio Daniel Viegas, militar na base Aérea de Monte Real, de 2016 a 2020, foi ouvido pelo coletivo do tribunal de São João Novo, no Porto. Indicou que conhecia as duas vítimas, mas conviviam “muito pouco”. “Umas flexões, sim, de resto mais nada que entendesse ser um ritual de integração”, disse, assumindo que fazia parte do grupo ‘Suricatas Raivosos’, mas que nunca viu vídeos de praxe. “Só ouvi depois falar que eles comiam comida de cão, quando fui ouvido pela PJ Militar. Comigo não se passou nada disso”, referiu.
Procurador manda extrair certidão por falsas declarações de testemunha
Henrique Daniel Correia, também exerceu funções na base Nº5 no período em que os dois jovens terão sido vítimas de praxe. O procurador confrontou-o com vários episódios, mas a testemunha disse sempre que não se recordava. “Nunca o vi algemado nem a entrar num armário, nem a ser mandado fazer de cão. Nunca ouvi falar de terem apontado armas de fogo aos soldados”, explicou. Já em relação ao grupo de Whatsapp, onde eram mostradas as praxes, Henrique garantiu que tinha conhecimento da existência, por fazer parte do mesmo. “Entrei mais tarde para esse grupo”, indicou. “Então o senhor lembra-se de quando entrou para um grupo e não se recorda de outras coisas mais graves? Eu não me lembro de quando entro para os grupos de Whatsapp”, referiu o magistrado.
O procurador mandou, por isso, extrair certidão por falsas declarações prestadas em audiência - uma vez que a testemunhas já tinha falado numa fase anterior do processo e indicou conhecimento em alguns dos factos.
Quem também esteve a trabalhar na base, de Outubro 2016 e saiu Maio 2019, foi Ricardo Ribeiro. “Ele [vítima] tinha muitas dúvidas. Não aprendia as coisas à primeira. Às vezes era preciso insistir com ele para ele aprender as coisas. Nunca vi ele a ser agredido à chapada”, contou.
Choveu dentro do tribunal
Os 10 arguidos estão a ser julgados por crimes de abuso de autoridade por ofensas à integridade física numa sala do tribunal onde dois baldes foram colocados estrategicamente devido à chuva que entrou no edifício durante a tarde de segunda-feira.
Carlos Silva, outra testemunha ouvida, conhecia as duas vítimas - uma tentou o suicídio e outra teve de furtar um cartão de multibanco para ser expulso da Força Aérea. “Furtou-me o cartão de multibanco e fez levantamento, mas depois devolveu-me o dinheiro todo. Ele foi castigado pelo que fez. Foi expulso. Não foi nada combinado como ele diz ter acontecido. Ele anda a mentir. Ele fazia o mínimo dos mínimos, era irresponsável e preguiçosa. Ele não era responsável com dinheiro. Gastava tudo em roupas de marca. Ele pedia dinheiro emprestado na base e depois nunca mais o viram de volta”, descreveu em audiência.
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