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Correio da Manhã

Portugal
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General português forma 1200 contra o terrorismo

EUTM capaz de ser projetada para Mauritânia, Burkina Faso, Níger e Chade.
Sérgio A. Vitorino 14 de Junho de 2020 às 09:04
Brigadeiro Bogas Ribeiro junto a elementos formados na missão que comandou 6 meses no Mali
Missão formou mais de 1200 militares
Bogas Ribeiro recebe a mais importante medalha da União Europeia para missões de segurança e defesa
Brigadeiro Bogas Ribeiro junto a elementos formados na missão que comandou 6 meses no Mali
Missão formou mais de 1200 militares
Bogas Ribeiro recebe a mais importante medalha da União Europeia para missões de segurança e defesa
Brigadeiro Bogas Ribeiro junto a elementos formados na missão que comandou 6 meses no Mali
Missão formou mais de 1200 militares
Bogas Ribeiro recebe a mais importante medalha da União Europeia para missões de segurança e defesa

Foram seis meses a comandar a missão de treino da União Europeia (EUTM) no Mali, um dos países africanos onde a Europa está em guerra contra o terrorismo. E, apesar da Covid-19, conseguiu formar mais de 1200 militares locais, capacitando-os a combater num dos cenários mais perigosos do mundo. O brigadeiro-general Boga Ribeiro, 55 anos, regressou este sábado a Portugal, tendo deixado o terreno preparado para o sucessor assumir o aumento de responsabilidades.

"A União Europeia aprovou em março a extensão da EUTM Mali por mais 4 anos. Passámos a operar em todo o território do Mali e restantes 4 países, Mauritânia, Burkina Faso, Níger e Chade, uma área de responsabilidade vastíssima. As capacidades irão aumentar, em dois anos, para quase o dobro da dimensão atual [800 militares agora], o que lhe permitirá cumprir a sua missão de apoio à segurança e estabilização desta área, de forma ainda mais eficaz", refere Boga Ribeiro ao Correio da Manhã.

No Mali a luta é contra a "influência que a desestabilização pode exercer diretamente na Europa". Missão "complexa, intensa e difícil". Mas "com um Mali mais seguro teremos um Sahel mais seguro e assim uma Europa mais segura".

Dos 6 meses à frente da EUTM Mali, o general diz que a missão, nos primeiros três meses, "aumentou consideravelmente a sua eficiência, realizando praticamente tantas atividades de formação, e formando tantos elementos, como em períodos anteriores de 6 meses". Isto porque, "face à avaliação da situação securitária, impunha-se uma ação mais direta no aprontamento de tropas", afirma.

As prioridades foram a continuidade da formação e o apoio "para a edificação do futuro" das forças armadas do Mali e da Força Conjunta G5Sahel (Burkina Faso, Chade, Mali, Mauritânia e Níger). Mas, antes de mais, garantir a "segurança", a "perceção" e a ligação entre os elementos da EUTM, provenientes de 29 países.

Na "fase dinâmica" dos seis meses "formámos cerca de 1200 militares em três meses e meio em diferentes áreas". Houve projeções de forças para Sevaré, a mais de 600 km, e Toumbouctou, a cerca de 1000 km de Bamako (onde está a sede).

PORMENORES 
Junto com ONU e França
Existiu "maior articulação" entre as diferentes missões no Mali, nomeadamente a MINUSMA (ONU) e a Barkhane (missão francesa antiterrorismo).

Direito humanitário
Boga Ribeiro destaca que "toda e qualquer formação pela EUTM Mali, inclui uma área importantíssima no âmbito do Direito Internacional Humanitário".

Segurança prioritária
A EUTM tem "frequentes exercícios de segurança contra as diferentes ameaças". Não há "saídas das bases a não ser para a realização das diferentes atividades e operações".

Volátil e frágil
Atualmente, o Mali (e todo o Sahel) apresenta "grande volatilidade e fragilidade", "numa área territorial imensa quando comparada com a dimensão das forças de defesa e segurança", aumentada "grave conflito interétnico, exponenciada pelo fenómeno do terrorismo".

14 dias de quarentena
Os militares que regressaram a Portugal foram submetidos a rasteio sanitário e vão agora cumprir 14 dias de quarentena.

Covid-19 infetou dez membros da missão e levou à retirada de 320 para a Europa
A Covid-19 "afetou diretamente a missão", que entrou em "fase de hibernação", com "suspensão das atividades de treino para mitigar os riscos".

A EUTM Mali teve dez casos confirmados ("todos curados" e nenhum português) e isolou 1/3 do quartel general, fechando-o ao exterior por 5 semanas.

Quatro militares doentes e outros 320 (sete portugueses), por precaução, foram retirados para a Europa. A situação sob "controlo possível" leva a que já se esteja na "fase de retorno" gradual às atividades de aconselhamento e formação de formadores.

Sargento luso foi em 2017 o primeiro morto da EUTM
A EUTM Mali já foi atacada duas vezes, "e infelizmente a sua primeira baixa foi portuguesa, a 18 de Junho de 2017 [sargento Paiva Benido]" num ataque terrorista" em Bamako. Nestes 6 meses, teve de, por vezes, aumentar "estados de alerta".
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