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Correio da Manhã

Portugal

Grupo radical de defesa dos animais investigado por violência

IRA tem ligações ao PAN. Deputado André Silva promete reagir caso se prove violência.
16 de Novembro de 2018 às 09:05
Elemento do IRA - Intervenção e Resgate Animal
Ira
Foto de grupo do IRA - Intervenção e Resgate Animal
Elemento do IRA - Intervenção e Resgate Animal
Ira
Foto de grupo do IRA - Intervenção e Resgate Animal
Elemento do IRA - Intervenção e Resgate Animal
Ira
Foto de grupo do IRA - Intervenção e Resgate Animal
Dão pelo nome de IRA - Intervenção e Resgate Animal e atuam vestidos de negro e encapuzados. A sigla e o modo como se apresentam remete para o grupo terrorista IRA, que, na sua luta pela independência da Irlanda do Norte, aterrorizou a Grã Bretanha durante várias décadas.

As identidades do IRA português não são reveladas e o método de intervenção pauta-se pela violência, incluindo o uso de armas, ameaças e intimidação. É o que se percebe na reportagem emitida pela TVI esta quinta-feira, que desvenda os meandros deste grupo e as suas ligações ao PAN - o partido Pessoas, Animais, Natureza, que tem um deputado no Parlamento.

A peça transmitida pela estação de Queluz deu voz a várias das vítimas do grupo, que contam episódios em que foram ameaçados em casa por elementos do IRA, que atuaram de rosto coberto e exibindo armas. O CM apurou que o grupo está a ser investigado por suspeitas dos crimes de assalto à mão armada, sequestro, ameaça e outros crimes. Mas, ao contrário do que noticia a TVI, o terrorismo não será um dos crimes em questão.

O grupo é representado legalmente pela advogada Cristina Rodrigues, que é também membro da comissão política do PAN, ex-candidata à Câmara Municipal de Sintra e chefe de gabinete do deputado André Silva. A TVI acredita que a advogada poderá ser uma das encapuzadas do grupo, que está a ser investigado pela Polícia Judiciária e pelo Ministério Público.

Ouvido na reportagem, o deputado André Silva, que segue o IRA nas redes sociais, diz não ter conhecimento de qualquer atividade violenta do grupo e garante que "agirá em conformidade" caso se confirmem os ataques de que o IRA é acusado. E promete atuar contra membros do partido que participem nas ações violentas atribuídas ao grupo.

Depois da emissão da reportagem, o IRA reagiu esta sexta-feira com uma publicação no Facebook em que nega os factos relatados na reportagem televisiva. E promete apresentar provas de que o que ali foi dito pelos vários intervenientes é falso.



Na mesma página, o grupo esclarece os seus propósitos, numa espécie de manifesto:

"Um grupo de amigos que resgata animais em risco de vida, vítimas de violência, negligência ou abandono.
Quando as entidades governamentais não atuam no tempo necessário para salvaguardar o bem-estar do animal.
Apenas quando existe acolhimento para os animais.
Que não aceita donativos monetários nem voluntários.
Que não mostra as caras nem procura protagonismos nas televisões e jornais.
Que não tem tempo para reuniões, burocracias, palestras e eventos.
Cujo objetivo é SALVÁ-LOS e não AGRADAR-VOS.
Que não tem obrigação de ir, fazer ou explicar.
Que não cede a exigências, chantagens, pressões ou ameaças.
Que se mantém íntegro, disciplinado e organizado.
É isto, o IRA"

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