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Militares da GNR de Palmela acusados de sequestro suspensos por 90 dias

Decisão surge depois de recomendação da IGAI que pediu a suspensão após caso que pode afetar "a credibilidade" da Guarda.

01 de abril de 2026 às 01:30

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, decidiu suspender os quatro militares da GNR de Palmela que são suspeitos de agredir e sequestrar três jovens institucionalizados (que tinham fugido do acolhimento), num caso que aconteceu em 2024. A decisão surge cinco dias após ser conhecida a acusação do Ministério Público (MP), da qual Luís Neves disse estar à espera para tomar uma decisão em relação aos militares. 

Em comunicado, o Ministério da Administração Interna explicou que "atendendo à gravidade dos factos descrito e às exigências cautelares que o caso impõe, bem como a existência de fortes indícios da prática de infrações muito graves", a Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) entendeu que os militares deviam ser suspensos. Luís Neves seguiu assim a recomendação da IGAI e os militares estão suspensos, de forma preventiva, por 90 dias.

A IGAI referiu ainda que a conduta dos militares, caso se comprove, "consubstancia a violação de deveres disciplinares, gera alarme social e perturba a ordem e tranquilidade públicas", podendo afetar "a credibilidade e a confiança dos cidadãos" na autoridade.

Na acusação, o MP pediu que os militares sejam condenados à suspensão de funções pelos crimes de sequestro, injúria agravada, falsificação de documento, abuso de poder e denúncia caluniosa.

Em abril de 2024, os militares terão agredido três jovens que estavam institucionalizados. Segundo o MP, "subjugaram e humilharam" as vítimas. Foram momentos de terror. Quando a patrulha da GNR encontrou os três menores junto a uma fábrica abandonada, obrigou-os a encostarem-se a um muro, de braços levantados e mãos colocadas na parede. Terá sido nesse momento que as agressões se iniciaram, com os militares a pontapearem, esmurrarem e esbofetearem os menores. Os jovens foram ainda insultados com referências à sua cor de pele e à etnia.

Um dos militares - que estava de folga e foi chamado para o local pelos colegas - chegou a dar bastonadas numa das vítimas, segundo o MP. O jovem desmaiou duas vezes com dores.

No final, o MP acusou os militares de pressionarem os menores a não contarem a verdade sobre as agressões. Chegou a ser elaborado um auto falso, onde, segundo a acusação, era descrito que os jovens relataram agressões por outro jovem que trabalha na instituição e chegaram a ser colocadas frases que os menores teriam dito.

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