page view
Imagem promocional da micronovela
MICRONOVELA

Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

Ministro da Administração Interna manda investigar custo de golas antifumo em incêndios

Eduardo Cabrita pede esclarecimentos e determina averiguação urgente à Inspeção-Geral.

28 de julho de 2019 às 09:17

Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna, ficou com dúvidas sobre o contrato das 70 mil golas antifumo produzidas em material inflamável - que mantém serem de "informação e sensibilização" do programa ‘Aldeias Seguras’ e não para combate a incêndios -, que custaram quase 126 mil euros (1,67 a unidade) e exigiu este sábado esclarecimentos à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC). Determinou ainda que a Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) abra um "inquérito urgente".

A decisão do governo foi tomada este sábado de manhã, no seguimento de "factos vindos a público sobre aspetos contratuais", nomeadamente o elevado preço das golas em poliéster inflamável, que podem ser encontradas no mercado a metade do preço.

O contrato foi assinado a 28 de maio de 2018 entre o presidente da ANEPC, Mourato Nunes, e a empresa Foxtrot, criada para atividades turísticas pelo marido de uma autarca do PS de Longos (Guimarães) e que teve de subcontratar para fazer as golas. Estas, segundo fontes ouvidas pelo CM, não têm qualidades antifumo e podem colocar em risco quem as usa em cenários de fogo por serem facilmente inflamáveis.

A ANEPC consultou 5 empresas (além da vencedora, a Edstates, Brain One, Codelpor e Mosc) e afirma que a Foxtrot foi a única a responder. Já a empresa, de Ricardo Fernandes, defende que o caderno de encargos não defendia que as golas fossem em material ignífugo e que o preço elevado foi "devido à urgência e dimensão [70 mil golas] da encomenda".

Um milhão gasto em programa bandeira

‘Aldeias Seguras’ é um programa bandeira do governo para prevenção. Só este ano a ANEPC gastou mais de meio milhão a publicitá-lo. E em 2018 investiu mais ainda nos kits, golas e sinalética.

Eduardo Cabrita e especialistas em incêndios, como o professor da Universidade de Coimbra Xavier Viegas, destacam que o material é "informativo" para as pessoas saberem "a necessidade de se protegerem". Além da gola e colete, os 15 mil kits de autoproteção incluem ainda rádio, água, estojo de primeiros socorros, lanterna, um apito, uma barra de cereais e a mochila.

Oito mil coletes que também ardem

Entre os contratos do ‘Aldeias Seguras’ há um para oito mil coletes de identificação (36 800€) para Oficiais de Segurança Local, que asseguram a comunicação direta à população. Mas também estes coletes são apenas "de informação" e em material inflamável, sabe o CM

Cada um custou 4,60 €, quando modelos semelhantes, como os de trânsito, custam menos de 3€. A empresa que ganhou este concurso, também assinado por Mourato Nunes, é a Touchfire, que vende à ANEPC coletes em material antifogo por 46,50 €.

Saiba mais

Rio questiona

O presidente do PSD, Rui Rio, questionou este sábado se "é mesmo verdade" que a empresa do marido de uma autarca PS vendeu a preços superiores aos de mercado as golas feitas em material inflamável.

1909

localidades fazem parte do programa ‘Aldeias Seguras’, estando já nomeados 1506 oficiais de segurança local. Foram contratados à Foxtrot 15 mil kits de autoproteção por 203 mil €.

Sensibilizar

O MAI refere que as golas visaram sensibilizar a população para, em caso de proximidade de incêndio, protegerem superfícies expostas (cara e pescoço) e vias respiratórias (redução da inalação de fumos).

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Bom Dia

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8