Nova sessão ficou marcada esta terça-feira pelos depoimentos de três testemunhas no processo que inclui o ex-primeiro-ministro, José Sócrates.
O julgamento da 'Operação Marquês' prosseguiu esta terça-feira no Campus de Justiça, em Lisboa, com uma nova sessão dedicada à audição de três testemunhas.
Nesta fase do processo, foi ouvida Maria Manuela Graça, Paulo Guilherme e Pedro Figueiredo, no âmbito do processo que envolve o ex-primeiro-ministro José Sócrates e outros arguidos que respondem por crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais.
Durante o depoimento, Maria Manuela Graça, a funcionária da Caixa Geral de Depósitos responsável pelo parecer do crédito para Vale de Lobo em 2006, foi questionada sobre a análise de risco efetuada à época. A testemunha afirmou que era prática habitual avaliar sempre os riscos associados aos negócios. Questionada sobre a razão de terem sido emitidos dois pareceres distintos, respondeu que já não se recorda.
A testemunha foi ainda confrontada com a rapidez do processo e questionada sobre se seria normal um negócio desta dimensão avançar em tão pouco tempo. Em resposta, explicou que o processo decorreu rapidamente porque já teria sido alvo de análise prévia, considerando, por isso, que não se tratou de uma situação invulgar, uma vez que existia trabalho de estudo feito anteriormente.
Já Paulo Guilherme, filho de José Guilherme que deu 14 milhões a Ricardo Salgado, afirma durante o julgamento não saber ao certo o que está a ser tratado. Confirma que conheceu Paulo Pinto Sousa, num hotel em Luanda, e que não tem contacto com o mesmo desde 2006, assim como Carlos Santos Silva, uma vez que foram sócios durante cerca de três anos tendo este vendido a sua parte do negócio mais tarde.
Questionado sobre se Paulo Pinto Sousa tinha salinas, respondeu que sim, mas que nunca as visitou, no entanto, avança que existia o objetivo de se envolver no negócio para transformar os terrenos em hotéis e escritórios, mas a ideia nunca chegou a avançar.
A última testemunha ouvida foi Pedro Figueiredo, arquiteto, que garantiu não conhecer nenhum dos arguidos, ainda que confirme uma relação com o grupo Lena, mais especificamente com Júlio Bento, que lhe pediu para fazer um projeto de um condomínio em Sintra.
Segundo o arquiteto, Júlio Bento acompanhou-o em todas as visitas ao terreno e reuniões sobre o mesmo, onde afirma ter transmitido toda a informação sobre como era proibido avançar com a construção por pertencer à Reserva Ecológica Nacional (REN) e à Reserva Agrícola Nacional (RAN). Ainda assim, quiseram prosseguir com o projeto. O pagamento terá sido feito por cheque com o nome de uma empresa estrangeira, mas entregue por Júlio Bento.
Pedro Figueiredo termina o depoimento a confirmar que não conhece Joaquim Barroca, um empresário ligado também ao grupo Lena.
À saída do Tribunal, a advogada oficiosa de José Sócrates afirma não ter falado com ninguém, nem com o próprio, e que está a ler tudo sobre o processo aos poucos.
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