Cláudia Costa, de 39 anos, entrou na urgência com hemorragia e terá estado uma hora e meia à espera.
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A morte prematura de uma bebé com 37 semanas de gestação ainda no ventre da mãe, na quinta-feira, na Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda, está desde ontem a ser investigada pela Polícia Judiciária. Cláudia Costa, de 39 anos, deu entrada na urgência obstétrica com hemorragias e terá estado uma hora e meia à espera de ser atendida por um obstetra. A situação pode configurar um crime de negligência.
Justiça investiga morte de bebé no Hospital da Guarda
O caso está também a ser investigado pela Inspeção-Geral das Atividades em Saúde, Entidade Reguladora da Saúde e Administração Regional de Saúde do Centro.
Cláudia Costa, professora, e Ricardo Monteiro, 36 anos, técnico de cardiologia na ULS da Guarda e bombeiro em Pinhel, há vários anos que alimentavam o sonho de serem pais. Depois de se submeter a vários tratamentos de fertilidade, Cláudia Costa estava grávida de Íris e tudo parecia correr como "um sonho", refere um amigo da família. A marcação da cesariana tinha sido feita na quarta-feira, para as próximas semanas.
Tudo acabou quando a mulher deu entrada na urgência obstétrica às 09h30 de quinta-feira. No serviço estavam dois obstetras, mas, segundo uma fonte hospitalar, ambos estavam ocupados. Um comunicado da ULS da Guarda refere que a mulher apresentava perdas de sangue "pouco significativas" e quatro minutos depois foi feito um registo RCT – que serve para monitorizar a gravidez. "Feita a ecografia fetal, foi confirmada a morte do feto", refere a nota.
Cláudia Costa está fisicamente bem, mas a situação afetou toda a família. Ontem à tarde, o marido, os pais e os sogros de Cláudia deixaram o hospital abraçados e em lágrimas. Contactada pelo CM, a mãe da parturiente, Ester Costa, recusou prestar declarações. O ambiente no hospital – onde trabalha, tal como o marido da filha – era de consternação. Ester Costa "andava muito feliz e entusiasmada porque ia ter a primeira neta", conta uma colega. Ontem, o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes afirmou que "é necessário agir para ter a certeza de que não falhou nada que não devesse ter falhado".
Ministro só quer doentes agudos a ir às urgências
O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, vai avançar em abril com um projeto-piloto nas urgências dos hospitais do Porto e de Braga que está gerar polémica. De acordo com o deputado Miguel Santos, do PSD, não é claro se o projeto "vai ou não limitar o acesso" aos utentes que recorrem às urgências sem ser através dos bombeiros, do INEM ou da Linha Saúde 24.
Ontem, no Parlamento, o ministro garantiu que "ninguém vai ser excluído" das urgências. O governante explicou que a medida tem caráter pedagógico, ou seja, aos doentes que forem às urgências sem terem um caso agudo será dito que, da próxima vez, procurem os centros de saúde. Para tal, o ministro garante que os centros de saúde "serão dotados de meios de diagnóstico e de algumas especialidades, como imagiologia, psicologia e saúde oral".
Se este projeto correr bem, garantiu Adalberto Campos Fernandes, "em 2018 será alargado a outras regiões do País". Mas o deputado Miguel Santos alertou para o facto de "não estar avaliado o impacto desta medida". Segundo o deputado, nem INEM nem responsáveis da Saúde 24 ou dos bombeiros foram ouvidos sobre esta medida.
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