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AM Lisboa condena ato de violência contra participantes na Marcha pela Vida

Em causa está o ocorrido na Marcha pela Vida, em 21 de março, quando uma pessoa arremessou "um engenho incendiário improvisado do tipo 'cocktail molotov', contendo gasolina", na direção dos participantes da iniciativa.

14 de abril de 2026 às 21:48

A Assembleia Municipal de Lisboa (AML) condenou esta terça-feira o ato de violência contra participantes na Marcha pela Vida, com a aprovação de votos do CDS-PP, do PCP (subscrito pelo PS), do Chega e do PSD.

Os votos do PCP, que o PS subscreveu, e do PSD foram aprovados por unanimidade, enquanto o do CDS-PP contou com os votos favoráveis da direita nos vários pontos votados separadamente e com diferentes sentidos de voto dos restantes partidos.

Já o do Chega foi aprovado com os votos a favor de PSD, CDS-PP, IL e do proponente, e os votos contra de PS, Livre, PCP, BE, PEV e PAN.

Em causa está o ocorrido na Marcha pela Vida, em 21 de março, frente à Assembleia da República, em que, segundo a Polícia de Segurança Pública (PSP), uma pessoa arremessou "um engenho incendiário improvisado do tipo 'cocktail molotov', contendo gasolina", na direção dos participantes da iniciativa, sem registar feridos.

No momento do incidente, participavam no protesto cerca de 500 pessoas, incluindo crianças e bebés. O engenho embateu junto de um grupo de manifestantes, mas não chegou a deflagrar no momento do impacto.

Durante o debate na sessão desta terça-feira da AML, Francisco Camacho, do CDS-PP, defendeu que "o que se passou não foi um incidente", mas "um ato pensado" com carga ideológica de natureza política, pelo que "merece repúdio veemente".

"Não estamos a falar de um descontrolo, foi um ato de natureza terrorista contra pessoas concretas, contra uma causa concreta", salientou o deputado centrista.

Já Liliana Fidalgo, do PSD, apontou que "numa democracia não basta afirmar princípios, é preciso praticá-los, e quem se diz contra o extremismo não pode tolerar comportamentos extremistas".

"A violência política nunca começa grande, começa quando deixamos de a levar a sério, foi essa a fronteira que foi ultrapassada em Lisboa", apontou a líder da bancada social-democrata, realçando que a cidade "tem de continuar a ser espaço de liberdade, não de intimidação".

Por parte do Chega, os deputados Luís Pereira Nunes e Margarida Bentes Penedo salientaram o que classificaram como "onda de violência" na Europa e nos Estados Unidos contra a direita, atribuindo responsabilidade à "extrema-esquerda", dando como exemplos o assassínio de Charlie Kirk, nos EUA, e o espancamento até à morte de um ativista de direita em França.

"O extremismo de esquerda, tantas vezes ignorado ou maquilhado, tem de ser veementemente condenado e combatido", defendeu o Chega.

A deputada Natacha Amaro, do PCP, acusou o Chega de mais parecer querer espalhar ódio do que condenar um ato de violência e considerou que o "relambório de exemplos" apresentados "é muito interessante, mas também é muito seletivo", omitindo ataques que a extrema-direita tem perpetrado, exemplificando com os confrontos ocorrido no ultimo desfile do 25 de Abril, em Lisboa, ou o ataque por parte de grupos fascistas e neonazis à saída do comício da CDU (PCP/PEV), no Coliseu dos Recreios, em setembro de 2015.

Da parte do PS, o deputado Duarte Carreira considerou que "o incidente ocorrido na Marcha pela Vida é grave e não pode ser relativizado" e que a defesa intransigente da democracia, da liberdade e da tolerância é um tema que deve unir todos.

"A democracia não vive apenas de leis, de instituições, vive de práticas, de comportamentos e de valores, valores essenciais como a liberdade de expressão, a liberdade de manifestação e o direito que cada pessoa tem de manifestar as suas convicções, por mais diferentes que sejam das nossas", salientou o socialista.

Da IL, Angélique da Teresa condenou o "atentado contra uma manifestação pacífica e devidamente autorizada", afirmando que "quem escolhe a agressão são os vândalos que não respeitam a democracia, nem são dignos de Abril".

A Marcha pela Vida é uma iniciativa anual em diversas cidades, incluindo Lisboa, contra a interrupção voluntária da gravidez e a eutanásia.

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