Rendas das casas por metro quadrado aumentaram 4,9% em dezembro de 2025 face ao mesmo mês de 2024 e registaram uma variação média anual de 5,3% no conjunto do ano passado.
A crise na habitação em Portugal obriga famílias diferentes a dividirem a mesma casa, mães a partilhar o quarto com as filhas e pessoas a viverem com estranhos, segundo relatos ouvidos pela Lusa.
"Mesmo dividindo a casa com outras pessoas fico um pouco aflita [de dinheiro]. Eu preferia ter uma casa minha com a minha família por um preço menor porque este custa a pagar", queixou-se Vitória Silva (nome fictício) em conversa telefónica com a Lusa.
Cozinheira, de 46 anos, vive com o namorado, construtor civil, de 50 anos, e com a filha, de 14 anos, em Loures (distrito de Lisboa), mas para pagar a renda de 1.200 euros/mês divide o espaço com outra família, há quase dois anos.
Cada casal paga 600 euros e todos ganham o salário mínimo (920 euros), exceto a mãe da outra família, que recebe cerca de 300 euros por trabalhar em regime de ?part-time? e estar grávida, contou.
A segunda família tem ainda duas filhas, uma de 9 e outra de 11 anos.
A sala de estar foi transformada num quarto para o casal à espera de bebé, por ser a maior divisão do T3.
Segundo contou Vitória Silva, cada família compra os seus bens essenciais, têm dois frigoríficos, duas casas de banho e arranjam forma de dividir o espaço.
"Às vezes falta comida, produtos de higiene e como não temos máquina de lavar roupa, usamos a banheira", disse Vitoria.
No Porto, Gabriela Gonçalves (nome fictício), também cozinheira, de 43 anos, ganha cerca de 900 euros e dorme no mesmo quarto que as duas filhas de 16 anos.
"Eu com esse salário não consigo alugar uma casa maior. Não tenho como, porque os preços estão nos 800, 900 euros por aí em diante", disse Gabriela Gonçalves, que vive num T1 desde 2021, após sair da casa de familiares.
Segundo Gabriela Gonçalves, o senhorio compreendeu a sua situação e baixou o preço da renda dos 700 euros para 350 euros.
Quanto às condições da habitação, "para três pessoas é apertado, ainda por cima adolescentes que querem o seu espaço", reconheceu, indicando que as filhas dividem o quarto para estudar.
"Uma já estudou e quer ir dormir, mas a luz tem de estar acesa para outra estudar", contou Gabriela, dizendo que também está a tirar a licenciatura em Serviço Social, algo que sempre quis fazer, mas ainda não conseguiu. Paga cerca de 300 euros de propina com ajuda de uma bolsa que ganhou.
Casos como estes são conhecidos da coordenadora nacional da Rede Europeia Anti-Pobreza (sigla em inglês EAPN), Maria Vicente, que acompanha situações de pessoas em situação de vulnerabilidade social.
À Lusa, relatou que existem muitos casos de famílias monoparentais com dificuldades em suportar os custos com a habitação, e que enfrentam problemas relacionados com as condições da casa, como a humidade, as infiltrações ou a falta de espaço.
Também o porta-voz do movimento Porta a Porta -- Casa para Todos, André Escoval, disse que existem casos de seis famílias a partilhar a mesma casa ou de trabalhadores que tiveram de arranjar um terceiro emprego, profissionais que compraram uma casa longe do local de trabalho ou pessoas que começaram a viver com estranhos para conseguirem suportar os custos da habitação.
É o caso de Carlos Nunes, de 63 anos, que vive em Setúbal, num apartamento partilhado da Caritas Portuguesa com mais quatro desconhecidos.
O morador disse à Lusa que era dono de uma agência de viagens e foi obrigado a fechar a empresa em 2020 devido à pandemia de Covid-19, que fez com que muitas pessoas deixassem de viajar, o que prejudicou o negócio e levou o empresário a ficar sem nada.
Atualmente, Carlos Nunes é segurança e para ganhar cerca de 900 euros por mês faz horas extra. "É difícil arranjar uma casa com uma renda acessível" porque os preços das casas na região são superiores ao seu ordenado.
"Aquilo que ganho não chega para nada", disse Carlos Nunes em conversa telefónica com a Lusa.
As rendas das casas por metro quadrado aumentaram 4,9% em dezembro de 2025 face ao mesmo mês de 2024 e registaram uma variação média anual de 5,3% no conjunto do ano passado, divulgou na terça-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE).
Portugal registou a segunda maior subida homóloga dos preços das casas, 17,7%, no terceiro trimestre de 2025, com a média da zona euro nos 5,1% e a da União Europeia (UE) nos 5,5%, divulgou o Eurostat no dia 09 de janeiro.
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