Gala solidária assinala o aniversário da queda da ponte Hintze Ribeiro, que matou 59 pessoas
A Associação dos Familiares das Vítimas da Tragédia de Entre-os-Rios vai realizar este sábado uma gala solidária que marca o início do programa evocativo do 25.º aniversário da queda da ponte Hintze Ribeiro, que causou a morte a 59 pessoas.
O programa, que se estende até 22 de março, inclui um conjunto de iniciativas que pretendem honrar a memória das vítimas, reforçar a solidariedade com as famílias e promover a reflexão coletiva sobre o acontecimento e os seus impactos.
"Entendemos que tínhamos que deixar uma pequena marca relativamente a estes 25 anos e, no fundo, relembrar [a tragédia], porque nós percebemos que os jovens ouvem falar, mas não têm conhecimento e muitas vezes alguns deles já nem sabem que há 25 anos surgiu um acidente que dizimou bastantes vidas", disse à Lusa o presidente da associação, Augusto Moreira.
A gala solidária, que irá decorrer no salão polivalente da Escola Secundária de Castelo de Paiva, conta com a presença de várias entidades, bem como dos presidentes dos municípios de onde eram naturais várias das vítimas da tragédia: Castelo de Paiva, Cinfães, Penafiel e Gondomar.
"Será um momento de reflexão, convidando as pessoas a refletir e, no fundo, a partilhar esta união que existiu entre os familiares. Eu acredito seriamente que alguém vai chorar, que alguém se vai emocionar", disse Augusto Moreira.
Outro dos momentos altos serão as cerimónias oficiais, no dia 04 de março, que incluem uma missa de homenagem às vítimas, o lançamento de flores à hora do acidente, junto ao rio Douro, e a inauguração do memorial (25 anos) nas freguesias envolvidas, com descerramento e breve momento de evocação.
"Este memorial é simbólico. Vai ser colocado em todas as freguesias onde houve vítimas, para também a freguesia não esquecer esse facto. O memorial terá o 'Anjo de Portugal' e uma placa com os nomes das pessoas dessa freguesia que perderam a vida no acidente", explicou o presidente da associação.
O programa evocativo inclui ainda a 09 de fevereiro o aniversário do Centro de Acolhimento que foi criado na sequência da tragédia, e no dia 20 do mesmo mês um seminário dedicado ao estudo da tragédia, com reflexão sobre o papel dos meios de comunicação, que contará com a presença de jornalistas que acompanharam o acontecimento e especialistas em comunicação, proteção civil e gestão de crises.
Para encerrar as comemorações, está prevista uma caminhada solidária junto ao rio Douro a 22 de março.
A Ponte Hintze Ribeiro, que ligava Entre-os-Rios, no concelho de Penafiel, distrito do Porto, e Castelo de Paiva, no distrito de Aveiro, colapsou na noite de 04 de março de 2001, arrastando para as águas do rio Douro um autocarro onde seguiam 53 passageiros e três automóveis com seis pessoas. Não houve sobreviventes.
No plano político, o então ministro do Equipamento, Jorge Coelho, demitiu-se de imediato, afirmando: "A culpa não pode morrer solteira".
Inquéritos promovidos pelo Governo e pela Assembleia da República atribuíram o colapso da ponte a uma "conjugação de fatores", entre os quais a extração de inertes a montante de Entre-os-Rios.
No plano judicial, não houve condenados.
No dia 4 de maio de 2002, o então primeiro-ministro Durão Barroso inaugurava a nova travessia do rio Douro que substituiria a ponte original, pouco mais de um ano depois da tragédia.
A obra foi lançada e construída em tempo recorde, como assinalou na ocasião o autarca de Penafiel, que então cumpria os primeiros meses como presidente daquele município do distrito do Porto.
Em 2003, foi inaugurado um monumento em memória das vítimas mortais, em Castelo de Paiva, da autoria do arquiteto Henrique Coelho, designado "Anjo de Portugal", que tem na sua base inscritos os nomes das 59 pessoas que morreram no colapso da ponte.
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