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MICRONOVELA

Pandora O poder não se mostra. Usa-se.

Cereja com quebra de produção até 80%

Chuva de abril e maio está a provocar enormes prejuízos nos cerejais.

19 de maio de 2026 às 01:30

A campanha da cereja do Fundão arrancou ontem ensombrada pelo mau tempo de abril e maio que destruiu mais de 35 por cento da produção nas primeiras variedades. “Esse é o valor médio estimado, mas há bastantes produtores que relatam perdas de 70 a 80 por cento em relação à colheita que previam fazer nesta fase inicial da campanha”, adianta Miguel Gavinhos, presidente da câmara.

Os prejuízos estão estimados em mais de sete milhões de euros, quase um terço dos 25 milhões que a fileira da cereja deveria render este ano a produtores e cooperativas. “Já pedimos a intervenção do Governo e estamos a solicitar ao Ministério da Agricultura que possa garantir algum tipo de compensação”, reforça o autarca. Nos cerejais, os produtores deitam as mãos à cabeça: “É uma calamidade. Entramos no pomar e não se consegue colher uma cereja porque estão todas rachadas”, queixa-se Alberto Brito, produtor da aldeia de Alcongosta, que, de 12 a 14 de junho, recebe a festa da cereja mais concorrida do País.

Na mesma localidade, também António Miguel faz contas à vida: “Há pomares onde a perda é total. Em outros é de 70 a 80 por cento, e é preciso escolhê-la bem”, adianta o produtor. Os agricultores esperam que o clima estabilize e permita que o resto da campanha, até meados de julho, decorra com normalidade para poderem mitigar as perdas, já que não querem aumentar o preço. “Estamos a fazer um esforço para manter o preço do ano passado”, remata Alberto. Ao consumidor o quilo é vendido a cinco euros.

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