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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Colégios de ensino especial protestam hoje contra "situação financeira insustentável"

Dificuldades financeiras são cada vez mais sufocantes e os diretores não sabem durante quanto tempo vão conseguir manter os colégios abertos.

05 de janeiro de 2026 às 08:06

Os colégios de ensino especial manifestam-se esta segunda-feira junto ao Ministério da Educação em protesto contra uma situação financeira que dizem estar a tornar-se insustentável e para pedir o reforço da comparticipação paga pelo Estado.

São a última solução do Estado para cerca de 500 crianças com necessidades educativas especiais quando a escola pública não consegue dar resposta, mas as dificuldades financeiras são cada vez mais sufocantes e os diretores não sabem durante quanto tempo vão conseguir manter os colégios abertos.

"Não sabemos até quando é que conseguimos, mas o futuro da escola claramente está em causa", disse à Lusa Isabel Beirão, diretora do Colégio Eduardo Claparède, em Lisboa, onde estudam 83 alunos.

No final de 2022, o Colégio Eduardo Claparède -- um dos cinco com contratos de cooperação com o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) -- informou os pais que em janeiro não reabriria portas, após declarar insolvência.

Na altura, o valor da comparticipação paga por aluno aos colégios de ensino especial não sofria alterações desde 2008 e a instituição tinha chegado ao limite.

Para evitar o encerramento, o Governo, então liderado por António Costa, aumentou de 511,89 para 651,26 euros o valor pago por mês por aluno, com o compromisso de um novo aumento no ano seguinte, que não se concretizou devido à queda do Governo.

Já sob a tutela de um novo ministro, os colégios de ensino especial voltaram a procurar ajuda junto do Governo e chegaram a ser recebidos em janeiro de 2025, mas não tiveram, desde então, novidades da equipa liderada por Fernando Alexandre.

À semelhança do Eduardo Claparède, também os outros quatro colégios de ensino especial com contratos de cooperação com o Governo recebem alunos, encaminhados pelo MECI, cuja condição não lhes permite que sejam acompanhados na escola pública.

São maioritariamente crianças e jovens com perturbação do espetro do autismo de nível 2 e 3, mas recebem também alunos com paralisia cerebral, perturbações mentais ou comportamentais.

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