Grupos editoriais de grande dimensão e a restauração continuam a aumentar os seus espaços.
Várias editoras acusam a APEL de lhes recusar há anos os pedidos para terem mais pavilhões na Feira do Livro de Lisboa, enquanto grupos editoriais de grande dimensão e a restauração continuam a aumentar os seus espaços.
São essencialmente editoras independentes e de pequena dimensão - que se viram este ano novamente impedidas de crescer, ao mesmo tempo que assistem aos grupos editoriais já dominantes a expandir território - que se queixam deste bloqueio por parte da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), em várias denúncias feitas à Lusa.
Um desses casos é a Orfeu Negro, que mantém os seus dois pavilhões, como contou Leonor Rodrigues, que coordena a participação da editora na feira.
"No entanto, este é o terceiro ano consecutivo em que pedimos um aumento para três pavilhões (a primeira vez que o fizemos foi na edição de 2023), tendo este sido sempre recusado", disse a editora, revelando que já em 2022 tinham manifestado essa intenção, mas que lhes indicaram "que não seria a altura mais oportuna", por ser o ano de "implementação do novo modelo de pavilhões".
A Tinta-da-China é outra das editoras que se sentem lesadas, e que nesta 95.ª edição da Feira do Livro de Lisboa, que decorre no Parque Eduardo VII, irá continuar com os seis pavilhões que mantém há anos, contra sua vontade.
"Há cinco anos que pedimos mais um pavilhão e é sistematicamente recusado. Reclamámos, e todos os anos nos dizem que no seguinte nos atribuirão o pavilhão solicitado, mas até esta hoje não o fizeram. Os grandes grupos ocuparam o espaço da Feira do Livro de Lisboa a seu 'bel-prazer' e não deixam crescer as editoras independentes médias e pequenas, que também não estão representadas na direção da APEL".
A Saída de Emergência, uma editora com foco na fantasia, ficção científica, romance histórico e horror, géneros literários que têm tido crescente procura, principalmente entre os jovens, tem as mesmas queixas.
"Pelo menos desde 2023 que mantemos o número de pavilhões, seis, ainda que todos os anos tenhamos manifestado vontade em ter mais um, daqueles abertos, mas que não nos tem sido atribuído", denunciam.
Outro género literário cujo consumo tem vindo também a aumentar a reboque dos mais jovens é a Banda Desenhada, que, segundo um estudo do final do ano passado, encomendado pela APEL, foi o género escolhido e comprado por 22% dos inquiridos.
O Plano Nacional de Leitura (PNL2027) também tem incluído cada vez mais títulos de Banda Desenhada, reconhecendo o seu papel na promoção da leitura, especialmente entre os jovens, e no ano passado foi celebrado pela primeira vez o Dia Nacional da Banda Desenhada.
Estes dados não se refletem contudo na exposição deste tipo de livros na feira, que, segundo as editoras Devir e a Ala dos Livros, não têm a devida divulgação, naquela que é a maior montra livreira do país e a maior oportunidade de negócio.
A Ala dos Livros, sócia da APEL desde 2020, participa na Feira do Livro de Lisboa desde 2022 com um pavilhão, mas em 2024 e em 2025 solicitou a atribuição de mais um pavilhão (para um total de dois), sem sucesso.
"Temos conhecimento de colegas editores de que há mais tempo solicitam o aumento do número de pavilhões sem sucesso. Ao mesmo tempo vemos outras editoras aumentarem dois e três pavilhões de um ano para o outro", lamentou Ricardo Magalhães Pereira, da Ala dos Livros.
No processo de candidatura, a reserva do número de pavilhões é feita e paga antecipadamente para a totalidade dos pavilhões solicitados sendo, posteriormente, restituída a importância dos pavilhões que não forem atribuídos. Existe também a obrigação de manter o número de pavilhões atribuídos nos anos seguintes.
"Esta situação, além das limitações de espaço físico, tem implicações no número de livros do dia que é possível destacar (dois por pavilhão/dia), sendo o atrativo de potenciais descontos para os leitores um dos pontos mais fortes e promovidos pela Feira do Livro de Lisboa", afirmou, considerando que "a desproporção entre editoras 'independentes' e grandes grupos editoriais é deveras evidente".
A Devir, que tem dois pavilhões, pediu este ano mais um, mas não conseguiu, revelou a editora Ana Lopes, lamentando esta recusa, numa altura em que "já se justificaria tendo em conta a relevância da Devir no panorama da banda desenhada em Portugal".
Segundo a editora, a APEL nem justificou a recusa, tendo enviado simplesmente um 'email' com o mapa geral onde os 'stands' iam ficar e devolveu o pagamento do 'stand' a mais que a Devir solicitou.
Situação um pouco diferente é a da Levoir, outra editora especializada em Banda Desenhada e Novela Gráfica, que queria ir sozinha (sem ir representada com a distribuidora, a Vasp) e pediu um pavilhão só para si.
"Não foi possível porque a feira disse que não tinha mais espaços disponíveis. Foi a primeira vez que solicitámos e foi recusado".
Com uma representação de 12 pavilhões, a editora independente e de média dimensão Relógio d'Água, "com 43 anos de existência e mais de 2.500 títulos publicados", tem exatamente as mesmas queixas: "Insiste há vários anos com a APEL para que lhe conceda mais espaço do que aquele que tem tido nos últimos (12 pavilhões)", disse à Lusa o editor, Francisco Vale.
"A APEL tem recusado esse pedido, apesar de constatarmos que outras editoras têm obtido um espaço crescente nas suas representações na Feira do Livro", acrescentou.
A Lusa questionou também grandes grupos editoriais, como a Leya, a Presença, os grupos Bertrand Circulo e Porto Editora e a Penguin Random House Portugal, sobre o número de pavilhões que tinham, se tinham pedido mais à APEL e se os tinham obtido.
A Penguin respondeu, a Bertrand disse apenas não ter "qualquer declaração a prestar sobre esse assunto" e os restantes não deram qualquer resposta.
Assim, o grupo Penguin, que detém 26 pavilhões na feira, conseguiu este ano mais um pavilhão, que foi "preencher" um espaço vazio na sua praça.
"Ocupamos exatamente o mesmo espaço que em 2024, mas com o espaço vazio agora preenchido por um pavilhão", especificou o grupo, destacando que tinham pedido mais pavilhões mas que lhe foram recusados, o que entendem, "porque, ao contrário dos catálogos das editoras - sempre em crescimento - o espaço da feira é limitado e é difícil acomodar todos os pedidos e necessidades de todos os expositores".
De facto, no ano passado a Feira do Livro de Lisboa atingiu o limite da sua capacidade, com 350 pavilhões, número que se mantém este ano.
No entanto, quem se queixa de não conseguir pavilhões chama a atenção para o facto de haver menos editoras representadas, pelo que, em teoria, deveriam sobrar pavilhões.
Segundo os dados da APEL, no ano passado houve 140 participantes, mas este ano esse número caiu para 133. O que cresceu foi o número de chancelas representadas em alguns grupos editoriais.
De acordo com o mapa da feira, o grupo editorial Leya tem 39 pavilhões, o Grupo Porto editora e Bertrand Circulo dispõe de um total de 30 pavilhões (15 para cada) e a Editorial Presença conta com 20 pavilhões.
Durante a apresentação da edição deste ano da Feira do Livro de Lisboa, a APEL revelou que a área de restauração também foi ampliada.
A Lusa confrontou a APEL com as queixas das editoras e questionou as justificações e os critérios aplicados, mas ainda não obteve resposta.
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