Rita Marques recusou assumir funções de administração no grupo The Fladgate Partnership.
A antiga secretária de Estado do Turismo Rita Marques vai presidir à Fundação Livraria Lello, apresentada este sábado no 118.º aniversário da livraria e que, com um orçamento de 500 mil euros, pretende capacitar "as pessoas a ler o mundo".
A ex-secretária de Estado deixou, a 2 de dezembro de 2023, o Governo socialista chefiado por António Costa e assumiu funções de administração no grupo The Fladgate Partnership, que detém a empresa Wow, com responsabilidades na divisão de hotéis e turismo. Mais tarde, recusou o cargo. "Considerando que a minha carreira profissional tem sido sempre pautada pela competência, pelo rigor, por estritos princípios e valores éticos, e pelo cumprimento incondicional da lei, entendo que não tenho condições de aceitar, nesta altura, o convite que me foi dirigido, e que previa que eu iniciasse funções a 16 de janeiro", escreveu na rede social Linkedin.
Em comunicado, a Livraria Lello avança este sábado que Rita Marques, que é também consultora e docente na Porto Business School, vai presidir a Fundação Livraria Lello.
"A vontade desta fundação é alargar o espetro a novos públicos, incentivando a participação cívica na construção de uma sociedade mais equilibrada e mais próspera", afirma, citada no comunicado, Rita Marques.
A fundação, apresentada no âmbito do 118.º aniversário da Livraria Lello, terá no conselho de curadores a vice-reitora da Universidade do Porto, Fátima Vieira, o cardeal de Setúbal, Américo Aguiar, e o ex-presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo.
Com um orçamento de 500 mil euros, a Fundação Livraria Lello terá a "ousada missão de capacitar as pessoas a lerem o mundo, promovendo a leitura como uma alavanca à prosperidade social".
Assumindo como prioridades a promoção do livro e do conhecimento, a fundação "assume como primeiros grandes desafios" a abertura, em junho, do Mosteiro de Leça do Balio, em Matosinhos, fruto de um investimento de cerca de dois milhões de euros na primeira fase do projeto de requalificação.
O objetivo é transformar o mosteiro, que está classificado como Monumento Nacional desde junho de 1910 e representa a primeira sede da Ordem do Hospital em Portugal, "num gravitas cultural, com exposições, conferências e eventos diversos".
A par do mosteiro, a fundação pretende desenvolver um itinerário cultural ao longo dos Caminhos Portugueses de Santiago, estando prevista a promoção de várias residências artísticas, incluindo um encontro internacional de estudantes de arquitetura "para abordar desafios ambientais e urbanos ao longo da costa".
Simultaneamente, está previsto um projeto com jovens em risco de exclusão, "utilizando a arte como meio para uma jornada espiritual e pessoal e, por essa, dirimir o insucesso e abandono escolar".
Estes projetos vão implicar um investimento de 200 mil euros.
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