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Correio da Manhã

Sociedade
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Greve na Portway cancela 20 voos no aeroporto Francisco Sá Carneiro

Trabalhadores exigem progressões na carreira.
Aureliana Gomes e Lusa 12 de Janeiro de 2020 às 17:02
O aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto
Aeroporto Francisco Sá Carneiro
O aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto
Aeroporto Francisco Sá Carneiro
O aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto
Aeroporto Francisco Sá Carneiro
A greve na Portway levou, este domingo, ao cancelamento de vinte voos no aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto.

Segundo o que o CM conseguiu apurar, foram canceladas dez partidas deste aeroporto e também dez voos que chegariam ao Porto.

Esta greve teve início às 16h00. Em declarações à Lusa, Fernando Simões, do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (SINTAC), avançou que os trabalhadores de 'handling' (assistência em terra nos aeroportos) da Portway no Porto estão em greve desde as 16h00 deste domingo, à semelhança do que aconteceu entre 27 e 29 de dezembro passado. 

"Os trabalhadores decidiram, num ato inesperado, e com grande surpresa para nós, fechar as operações desde as 16h00, pelo que são cancelados os 20 voos programados para hoje", disse Fernando Simões, acrescentando que a gare do aeroporto do Porto se encontra "totalmente lotada com passageiros a querer saber mais informações".

Segundo o sindicalista, serão afetados cerca de 3.800 passageiros.

A Lusa consultou a página online do Aeroporto Francisco Sá Carneiro e constatou, pelas 16h45, que se encontravam já cancelados nove voos, com destino a Paris, Luxemburgo, Dusseldorf, Madeira, Basileia, Genebra e Londres.

Os trabalhadores da Portway estão em greve sobretudo pela falta de progressão das carreiras e por a empresa não ter chegado a acordo na reunião que teve, juntamente com os sindicatos, na semana passada no Ministério do Trabalho.

"A reunião foi muito rápida porque a empresa chegou e quis revogar o acordo de empresa. Não quer negociar a progressão nas carreiras nem negociar", disse o sindicalista, acrescentando que a Portway se sentiu "incomodada" por a reunião decorrer no Ministério do Trabalho, "onde há atas que referem a verdade dos acontecimentos".

Segundo o sindicalista, a empresa, durante a reunião, demonstrou "um total desrespeito por todos ao vir dizer que tem de ser um acordo novo e que quem não o aceita não é bem vindo".

De acordo com Fernando Simões, a Portway "ameaçou os trabalhadores que se fizessem greve iam ser despedidos".

Em 20 de dezembro transato, o SINTAC anunciou um pré-aviso de greve na Portway para os dias 27, 28 e 29 de dezembro nos aeroportos de Lisboa, Porto, Faro e Funchal e para o trabalho aos fins de semana, entre 01 de janeiro e 31 de março.

Na altura do pré-aviso de greve, o SINTAC, em comunicado, indicou que decidiu avançar para a greve, porque a empresa, "através dos seus administradores pertencentes ao grupo Vinci, "não cumpriu o devido descongelamento de carreiras no passado mês de novembro conforme tinha assinado em 2016".

A Portway é a empresa de "handling" (assistência em terra) da ANA -- Aeroportos de Portugal, dona dos aeroportos nacionais que foi privatizada e ficou nas mãos do grupo Vinci.

Entretanto, em comunicado hoje divulgado, a Portway revela que o SINTAC "inviabilizou uma solução de diálogo" proposta pela empresa, no passado dia 08 de janeiro.

"Esta proposta, para retomar o diálogo construtivo interrompido em novembro pelo SINTAC, constituía um compromisso da empresa para a obtenção de consenso global com as estruturas sindicais no mais curto período de tempo. Este compromisso foi recusado pelo SINTAC. Este sindicato decidiu dar seguimento à greve e inviabilizar uma solução de diálogo", pode ler-se no documento.

No comunicado, a Portway reafirma a sua postura "construtiva e socialmente responsável", recordando que, em março de 2016, para evitar o despedimento coletivo, após decisão de montagem de operação de "self-handling" por parte de um importante cliente, "a empresa negociou um Acordo de Empresa (AE), introdução de regras de flexibilidade na organização do trabalho e congelamento da progressão dos salários e carreiras".

A empresa refere também que em novembro passado fez "a atualização de tabelas, carreiras, anuidades e restantes condições remuneratórias", conforme previsto no AE, "representando um aumento médio global de remunerações de cerca de 8%".
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