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Correio da Manhã

Sociedade
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Investigadores da UPorto em expedição no Ártico para estudar mudanças em ecossistemas

Equipa da área da microbiologia do CIIMAR embarcou na expedição há cerca de duas semanas.
Lusa 28 de Agosto de 2019 às 09:49
Ártico
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Uma equipa de investigadores do Centro de Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) tem vindo, ao longo dos últimos quatro anos, a participar numa expedição internacional no Oceano Ártico que acompanha as alterações nos diferentes ecossistemas.

Foi em 2016 que a equipa de investigação do CIIMAR, centro da Universidade do Porto sediado em Matosinhos, participou, pela primeira vez, no programa internacional de monitorização do Ártico liderado pelo Instituto Polar Norueguês (NPI) - o 'MOSJ -- Environmental Monitoring of Svalbard and Jan Mayen - que decorre há cerca de 20 anos.

Desde então, várias têm sido as "alterações" observadas pela equipa de investigadores. Se algumas se têm vindo a tornar percetíveis a "olho nu", como o degelo dos glaciares ou o aumento das temperaturas, outras "nem tanto", como é o caso das várias comunidades biológicas que coabitam nas profundezas do oceano.

"Temos vindo a assistir a uma perda do glaciar [Kongsfjorden] anual, que é visível. Quando estamos a amostrar, estão sempre a cair blocos de gelo e estamos sempre a assistir a mini 'tsunamis'. Isto não se vai recuperar", afirmou, em entrevista à Lusa, Catarina Magalhães, a líder da equipa do CIIMAR no âmbito deste programa.

Há cerca de duas semanas, a equipa da área da microbiologia do CIIMAR embarcou na expedição que, à semelhança das edições anteriores do programa, decorre na época de verão e permanece na zona marginal do gelo do Ártico e da área de Kongsfjorden.

"Este programa decorre todos os anos em estações de amostragem fixas [13 no seu total], para que seja possível criar uma base de dados sólida a uma escala temporal alargada", explicou a investigadora, adiantando que só desta forma será possível descrever e estudar as "alterações" analisadas.

Além do degelo dos glaciares e da diminuição da placa de gelo do Ártico, os investigadores têm também vindo a observar uma "redistribuição das espécies", que, inevitavelmente se verifica nos diferentes níveis tróficos da cadeia alimentar.

"Espécies que existiam em determinada altura deixaram de existir e começam a existir novas espécies", afirmou a investigadora, acrescentando, contudo, ainda não serem "bem conhecidos" os processos que motivaram esta redistribuição.

"Os glaciares desta zona da Gronelândia têm vindo a derreter, portanto, está a haver uma entrada bastante acentuada de água doce no Oceano Ártico. É natural que a existir uma alteração da salinidade e da temperatura, algumas comunidades não consigam viver nestas condições", frisou.

No entanto, e apesar do "aceleramento das alterações climáticas", nem Catarina Magalhães, nem os restantes investigadores conseguem, para já, desvendar as consequências desta reorganização biológica.

À Lusa, a responsável explicou ainda que os dados obtidos e recolhidos nas diferentes expedições, nomeadamente a sequenciação do genoma das comunidades microbianas (tarefa desenvolvida pelo CIIMAR), estão disponíveis em arquivos internacionais e que podem ser consultados por outros grupos científicos.

"Há questões científicas que não se colocam agora, mas que podem surgir daqui a alguns anos, e estes dados podem ajudar a responder a essas questões, daí a sua importância", salientou.

Catarina Magalhães admitiu também que o CIIMAR tenciona continuar a participar nestas expedições e a contribuir para a criação de uma base de dados de informação biológica a uma escala temporal alargada.
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