Grupo de 70 irlandeses tem ajudado a repor a rede de energia em Leiria.
Um grupo de 70 irlandeses tem ajudado a repor a rede de energia em Leiria. A sua chegada às aldeias às vezes é tão celebrada que há quem se sinta como um soldado americano a chegar à França libertada.
O grupo de trabalhadores pertence à ESB, a empresa pública irlandesa de energia, e a subcontratadas, que pediram aos seus funcionários voluntários para trabalho em Portugal "para ajudar com a reparação da tempestade", conta à agência Lusa Cormac Kerry, que trabalha em Wexford.
Os trabalhadores foram de barco até Cherbourg (França) ou até Bilbau (Espanha), seguindo depois por estrada até Fátima, onde estiveram a dormir durante duas semanas.
"Foram dois ou três dias de viagem para cá e depois serão outros três dias de viagem para lá. No total, foi uma semana de viagem e duas semanas de trabalho", que termina hoje ao final do dia, afirma Cormac, de capacete branco na cabeça, enquanto faz uma pausa antes de retomar ao serviço numa zona rural de Leiria.
O trabalho começa bem cedo, com um briefing, e termina quando o sol se vai: "Às vezes, ficamos um pouco já às escuras para acabar trabalho", acrescenta, referindo que cada equipa resolve uma média de duas localidades por dia.
Cormac, que já esteve noutros contextos de desastres naturais, nunca tinha visto nada "nesta escala".
No contacto com os moradores, o jovem irlandês gaba a paciência dos populares que já estão há mais de três semanas sem luz.
"As pessoas são muito pacientes. Eu nunca vi pessoas como estas que não tiveram eletricidade por três semanas e são tão, tão pacientes", nota.
Apesar de constatar que trabalham em lugares mais pobres da região, onde muita da gente com que se cruzam "não tem muito dinheiro", há sempre lugar para "café, biscoitos, pão e até vinho do Porto".
"Eles são muito generosos e muitos ficam bastante emocionados quando nos veem", afirma à Lusa Cormac Kerry.
Ao seu lado, Tom Cavanagh diz que o trabalho tem sido "muito gratificante".
"Quando fazemos o nosso trabalho e as luzes voltam, as pessoas ficam assoberbadas de emoção. No outro dia, uma senhora chorava enquanto nos dava abraços a todos", diz.
"Isto às vezes até me lembra aqueles filmes de guerra, quando os americanos chegam à França libertada e as pessoas saem para ver quem passa e dizer: 'Oh, graças a Deus, que estão aqui. Fomos libertados'. Às vezes, aqui, sinto-me assim", admite Tom, que logo se despede da Lusa para regressar ao trabalho.
Também Patrick Fleming, de Kildare, nota que toda a gente fica feliz quando os vê a chegar a mais uma aldeia.
"Estão sem luz durante tanto tempo e ficamos muito satisfeitos por vir e muitos satisfeitos por ajudar e dar uma mão", salientou.
Dennis Dullea, que chefia aquela equipa da ESB, diz que a principal dificuldade ao longo de duas semanas tem sido a adaptação a uma rede diferente e com regras diferentes, mas salientou que os funcionários da e-Redes têm sido "muito bons em pôr as coisas a andar".
Também aquele irlandês de West Cork nunca tinha visto um nível de destruição da rede com tantos danos como encontrou ali em Leiria, depois de já ter estado numa resposta a um desastre em França.
"Aqui, é em todo o lado, em todo o lugar", nota.
Cormac Kerry apesar de ter gostado de ajudar -- como uma espécie de "centelha de esperança" que vai de aldeia em aldeia -- admite alguma tristeza na despedida.
"Vamos embora, mas isto vai continuar por muito tempo. Há muito mais trabalho para fazer e gostávamos de continuar, mas temos muito que fazer na Irlanda e demos tudo o que pudemos aqui".
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