Estudo da Pordata, divulgado a propósito do Dia Mundial do Trabalhador, constata no entanto que Portugal tem a sétima taxa de emprego jovem da UE. É também um dos países em que mais se trabalha.
Quase quatro em cada dez trabalhadores jovens em Portugal têm contratos de trabalho temporários. Isto torna o País no quarto com maior precariedade jovem dentro da União Europeia (UE). As conclusões são de uma análise ao mercado de trabalho, feita pelo portal Pordata, cujas conclusões são divulgadas esta sexta-feira para assinalar o Dia Mundial do Trabalhador. Acima de Portugal, só estão a Polónia (39,1%), França (39,2%) e Países Baixos (51,1%).
No entanto, apesar da precariedade, o País é um dos que tem uma maior taxa de emprego entre os 25 e os 29 anos (82,8%). Este valor está aliás acima da média europeia, registada nos 76,9%. É a sétima taxa mais elevada de entre os 27 Estados-membros.
Ainda na duração dos contratos, Portugal é destacado pelo estudo como um dos cinco Estados-membros com maior percentagem de vínculos temporários, independentemente da idade. 15,1% dos trabalhadores tem contratos temporários, 2,1 pontos percentuais (p.p.) acima da média da UE.
Ao mesmo tempo, destaca o estudo, Portugal é dos países com uma das maiores cargas horárias de trabalho. Em média, os trabalhadores europeus fazem 37 horas por semana, enquanto, por cá, quem trabalha faz, em média, 39,7 horas semanais. Só a Bulgária, a Roménia, a Polónia e a Grécia têm mais carga horária média do que Portugal.
Noutro ramo de análise, o estudo da Pordata realça que Portugal ainda está abaixo da média europeia no trabalho à distância. Seja de forma híbrida ou totalmente em teletrabalho, 21,3% dos trabalhadores portugueses estão nesta modalidade, que cresceu após a pandemia de covid-19. A média europeia é de 23,1% e, diz a análise aos dados, os países com salários mais elevados tendem a ter maior prevalência de trabalho remoto.
Os trabalhadores portugueses estão também abaixo da média no que à escolaridade diz respeito. No espaço da União Europeia, 39,5% dos trabalhadores têm um diploma de ensino superior, um número acima dos 35,2% registados cá. Isto coloca o País entre os 11 que têm trabalhadores com menos cursos superiores. Houve, ainda assim, uma melhoria de 10 p.p. desde 2016.
Em 2025, a desigualdade no acesso ao mercado de trabalho entre homens e mulheres continuou a verificar-se, ainda com uma disparidade de apenas 5,4 p.p. entre homens e mulheres. Itália, Grécia e Roménia registam as maiores discrepâncias nesta área, com mais de 15 pontos.
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Neste 1 de Maio, as centrais sindicais CGTP e UGT esperam milhares de pessoas na rua, numa demonstração de força contra o pacote laboral. E o anúncio de uma greve geral como a do passado dia 11 de dezembro não está excluído.
À Lusa, o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, anunciou "mais de 33 iniciativas em todas as regiões do País", com objetivos concretos, nomeadamente "denunciar as dificuldades com que os trabalhadores se deparam". Como de costume, a intersindical estará na rua e realizará o desfile entre o Martim Moniz e a Alameda D. Afonso Henriques, em Lisboa, com início marcado para as 14h30. Já no Porto, a manifestação inicia-se pelas 15h00 na Avenida dos Aliados.
Já a UGT assinalará o Dia do Trabalhador com um conjunto de iniciativas no Centro Desportivo do Jamor, em Oeiras, com início marcado para as 10h30. Citado pela Lusa, o secretário-geral adjunto da UGT, Sérgio Monte não adiantou números de adesão. Mas mostrou-se convicto de que "a participação vai ser muito superior". Pelo "momento conturbado" que o País vive em matéria laboral, "é natural que haja muito mais gente" na rua. O 1 de Maio, disse, "é sempre um dia de festa, mas também de luta".
PORMENORES
Produtividade
Portugal é dos países onde o trabalho é menos produtivo. Cada trabalhador contribuiu, em média, com 48 mil euros para o Produto Interno Bruto (abaixo dos 74 mil médios). A Irlanda foi o país mais produtivo (194 mil euros/trabalhador).
Pouco part-time
Comparando com outros países, Portugal é daqueles em que há menos trabalhadores em tempo parcial (o chamado part-time). A média da UE é de 18,8%, bem acima dos 8,1% de Portugal. É nos Países Baixos que o valor é maior, com 43,8%.
Conta própria
Em Portugal, 14,7% dos trabalhadores estão por conta própria. O valor está em linha com a média europeia (14,7%), com a Grécia a ser o país que mais trabalhadores tem nesta situação (25,2%). Por cá, este tipo de atividade é mais comum nos homens (17,8%) do que nas mulheres (11,4%).
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