ICNF adiantou que nas matas nacionais de Leiria e do Casal da Lebre, "encontram-se desobstruídos todos os caminhos florestais asfaltados".
Mais de três mil quilómetros de caminhos florestais afetados pelo mau tempo, um terço dos quais na Região de Leiria, foram desobstruídos até ao dia 15, revelou o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
Segundo dados enviados à agência Lusa, dos 3.067 quilómetros da rede viária florestal desobstruída até àquela data, 1.058 situam-se na Região de Leiria, a mais afetada pela depressão Kristin, em 28 de janeiro.
Beira Baixa (850 quilómetros), Região de Coimbra (680), Médio Tejo (373), Oeste (66) e Lezíria do Tejo (40) são as outras regiões.
O ICNF adiantou que nas matas nacionais de Leiria, também conhecida como Pinhal de Leiria ou Pinhal do Rei, e do Casal da Lebre, no concelho da Marinha Grande, "encontram-se desobstruídos todos os caminhos florestais asfaltados, numa extensão total de 23,7 km".
"No que concerne à rede divisional (aceiros e arrifes), os trabalhos encontram-se em curso, estando, à data, desobstruídos cerca de 75 km de um total de 119 km", precisou.
Já na Mata Nacional do Ravasco, em Leiria, a rede viária florestal, com uma extensão de 1,13 km, encontra-se desimpedida, encontrando-se igualmente em curso intervenções na rede divisional.
Quanto à Mata Nacional do Urso, que abrange os concelhos de Leiria e Pombal, "a rede viária e divisional foi já intervencionada numa extensão total de 41 km", estando em execução trabalhos de desobstrução nas restantes vias.
A Mata Nacional de Pedrógão, em Leiria, não teve "necessidade de intervenção ao nível da rede viária, subsistindo apenas intervenções pontuais em aceiros e arrifes".
"Na Mata Nacional do Prazo de Santa Marinha, no concelho da Figueira da Foz, foram intervencionados 12 km da rede viária florestal, com recurso à Força de Sapadores Bombeiros Florestais", prosseguiu o ICNF numa resposta escrita enviada à Lusa.
Questionado sobre qual é o objetivo nesta matéria até 31 de maio, o ICNF fez saber que, no âmbito das suas competências, vai continuar "a assegurar o desimpedimento e a manutenção da transitabilidade da rede viária e divisional nas áreas afetadas sob sua gestão".
Ainda segundo o instituto, os trabalhos realizados nas áreas que gere "têm sido assegurados por trabalhadores do ICNF, designadamente pela Força de Sapadores Bombeiros Florestais e pelos assistentes operacionais afetos às matas nacionais, com recurso a meios mecânicos, nomeadamente 'bulldozers' e tratores".
À pergunta sobre quais as dificuldades neste trabalho, o ICNF sustentou que, não obstante a "elevada capacidade de resposta do ICNF, quer de recursos humanos qualificados, quer ao nível logístico [equipamentos]", a dimensão da intervenção "obriga a uma gestão criteriosa e otimizada dos meios existentes, de forma a maximizar a eficácia na execução dos trabalhos".
Neste aspeto, admitiu que "as condições meteorológicas adversas, bem como o estado do terreno, têm vindo a condicionar a progressão de algumas operações, verificando-se ainda a existência de áreas com elevados níveis de saturação hídrica, o que condiciona o acesso e a intervenção no terreno".
Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.
Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
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