Luís Duarte Costa manifesta "profunda preocupação" com o atual modelo de gestão clínica hospitalar.
Médicos internistas propõem uma reorganização do modelo hospitalar, com liderança clínica da Medicina Interna e responsabilidade partilhada de todas as especialidades, visando reforçar a qualidade, segurança e sustentabilidade do SNS face à crescente pressão sobre as urgências.
Numa carta enviada à ministra da Saúde, ao diretor executivo do SNS e ao bastonário da Ordem dos Médicos, esta terça-feira divulgada, o presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), Luís Duarte Costa, manifesta "profunda preocupação" com o atual modelo de gestão clínica hospitalar.
A SPMI alerta que "a pressão crescente e sustentada sobre os serviços de urgência e de internamento médico constitui, um dos mais sérios desafios enfrentados pelos hospitais portugueses".
"A afluência contínua de doentes com patologia médica aguda, frequentemente associada a multimorbilidade, fragilidade e complexidade social, ultrapassa claramente a capacidade de resposta dos modelos organizativos em vigor", salienta em comunicado.
Na carta, Luís Duarte Costa afirma que "a Medicina Interna é o pilar fundamental dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde, assegurando a maior fatia da assistência em episódios de urgência e internamento".
No entanto, alerta, "o atual paradigma de gestão tem revelado sinais de exaustão, com repercussões diretas na eficiência assistencial e no bem-estar dos profissionais".
Perante este cenário, a SPMI elaborou o documento "Reforma Hospitalar" em que aponta "as fragilidades" da atual governação clínica, propõe "soluções estruturantes" para a reorganização dos serviços" e apresenta propostas para "a valorização da polivalência e da centralidade do internista no percurso do doente".
Para os especialistas, a situação atual deve ser encarada como uma oportunidade para uma redefinição estrutural do modelo hospitalar, assente numa resposta institucional integrada, sob liderança clínica clara da Medicina Interna, mas com participação ativa e corresponsável de toda a organização hospitalar.
A SPMI defende que essa redefinição deve assentar em princípios fundamentais, nomeadamente o reconhecimento formal da Medicina Interna como especialidade líder do internamento médico e gestor do doente complexo e a "assunção institucional de que a resposta ao doente médico é responsabilidade do hospital todo, e não de uma única especialidade".
Os especialistas de medicina interna propõem ainda modelos organizativos integrados envolvendo todas as especialidades na resposta ao doente agudo, autoridade clínica e organizativa da especialidade proporcional às responsabilidades exercidas e valorização profissional, organizacional e formativa da Medicina Interna, garantindo "renovação geracional e assegurar sustentabilidade futura".
Na carta, onde a SPMI pede uma reunião com a ministra da Saúde para apresenta a proposta da "Reforma hospitalar", Luís Duarte Costa afirma que "a implementação das medidas propostas é vital para garantir a sustentabilidade do SNS e a qualidade dos cuidados prestados aos cidadãos".
Para a SPMI, "é imperativo" operar uma transformação profunda na forma como se pensa e gere as instituições de saúde, salientando que o serviço de urgência se tornou "o local onde a pressão é mais visível, mas a sua origem é transversal a todo o hospital".
Para os especialistas, "persistir num modelo em que problemas sistémicos são sucessivamente absorvidos por uma única especialidade não é apenas irrealista, representa um risco sério para a qualidade dos cuidados, para a segurança dos doentes e para a sustentabilidade do sistema de saúde".
A SPMI defende que o momento atual exige uma resposta diferente: "Institucional, integrada e orientada para o futuro" e avisam que "a crise não pode continuar a ser apenas gerida: Deve ser enfrentada e transformada".
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