Coletivo de residentes, proprietários e defensores do município de Idanha Viva agendaram manifestação para quarta-feira. Apontam que construção "desrespeita os princípios de proteção ambiental" e apontam nove impactos da via rodoviária.
Um movimento cívico de Idanha-a-Nova, está contra a construção do IC31 de ligação a Espanha, argumenta que a nova estrada não é desejada, e vai manifestar-se quarta-feira, à mesma hora e local de uma iniciativa de apoio.
Em comunicado enviado à agência Lusa, o movimento Idanha Viva, que se assume como um "coletivo de residentes, proprietários e defensores do território" daquele município do distrito de Castelo Branco, anunciou uma manifestação de protesto "para alertar a população e as autoridades para os impactos irreversíveis do projeto IC31 no concelho".
A iniciativa de protesto foi agendada precisamente para a mesma hora e local (18:30 de quarta-feira, na ponte internacional de Monfortinho, na fronteira com Espanha) de uma manifestação pela construção do IC31, promovida pela Aliança Territorial Europeia Norte de Extremadura e Beira Baixa (ATE), que reúne cerca de 40 entidades luso-espanholas, incluindo municípios.
Na nota, os ativistas argumentam que o futuro IC31 -- com 72 quilómetros de traçado, 20 em Espanha e os restantes em Portugal, entre a fronteira e a autoestrada A23 - "desrespeita os princípios de proteção ambiental, paisagística e de desenvolvimento sustentável" e apontam nove impactos da via rodoviária que, na sua opinião, são irreversíveis, desde logo o impacto ambiental.
Criticam, a esse propósito, o que dizem ser a "fragmentação irreversível de habitats e perda de biodiversidade, alteração de ecossistemas ribeirinhos e agrícolas e risco de contaminação do solo e da água por obras e manutenção da estrada", com consequências na paisagem e identidade territorial.
As críticas do Idanha Viva estendem-se à "industrialização permanente da paisagem rural", com "perda da coesão territorial e da identidade de aldeias históricas como Monsanto e Idanha-a-Velha" e um modelo de desenvolvimento "questionável", sustentado por "20 minutos poupados" aos condutores pela nova via, que "não compensam a destruição de 176 hectares de terras agrícolas e naturais".
Entre outros impactos, queixam-se de alegadas alternativas ao IC31 terem sido ignoradas, e questionam o porquê de não serem melhoradas estradas já existentes "maioritariamente desertas e carentes de segurança".
O movimento fala ainda de impactos cumulativos, apontando "um território sobrecarregado", pois, no seu entender, o IC31 vem somar-se aos projetos das centrais fotovoltaicas e linhas de alta tensão "sem uma avaliação integrada dos impactos".
Acresce ainda o que diz ser "um processo opaco" ao nível da participação e transparência para com os cidadãos, alegando que "a maioria dos residentes e novos moradores não foi consultada, apesar de terem mudado para a região após a última avaliação de impacto", realizada em 2011, há 15 anos.
"Falta transparência sobre os trajetos finais e os estudos atualizados de impacto ambiental e social", acusa.
No comunicado, o Idanha Viva sublinhou que, desde 2011, o município de Idanha-a-Nova tem atraído "cada vez mais residentes e investimento, comprovando que o território é um lugar de vida, crescimento e esperança --- e não um mero corredor de passagem".
O movimento frisou ainda que foram adquiridos 190 hectares de terra por novos residentes, que investiram mais de 1,6 milhões de euros em compras e reabilitações e 439 mil euros por ano em despesas de subsistência, "injetando vida económica numa região que recusa ser sacrificada em nome de um desenvolvimento insustentável".
"Estes números mostram que o IC31 não é inevitável, nem desejado --- é um projeto que ignora a realidade de um território que resiste, cresce e se reinventa, com base na proteção dos seus valores naturais e culturais", vincou o Idanha Viva.
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