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“Nada será igual no mundo do trabalho”: psicóloga alerta para consequências da pandemia

Confinamento trouxe alterações na forma como se trabalha.

21 de abril de 2020 às 09:29

O teletrabalho chegou à vida dos portugueses como um furacão e, de um dia para o outro, mudou tudo. Para alguns, a mudança é assustadora, mas a psicóloga Vera de Melo diz que não há que temer as transformações que o teletrabalho veio trazer. 

CM  - É verdade que o teletrabalho não é para todos? 

- Não. É um mito. Dizia-se que algumas pessoas, pelas suas características de personalidade ou pela natureza das suas funções, não o podiam fazer. Isso mudou. O Mundo, tal como o conhecíamos, mudou e o teletrabalho, agora, é uma realidade.

- Mas pode provocar mais ansiedade? Estar a aumentar, por exemplo, o receio de perder o posto de trabalho...

- Sim, mas pensar que as pessoas não são necessárias é outro mito. Há um ingrediente que muda tudo: a paixão que colocamos naquilo que fazemos. A paixão é a única competência que não pode ser ensinada. Não podemos criar um robô que faça com paixão o trabalho que uma pessoa faz todos os dias.

- O que devemos fazer para estarmos preparados para o mundo do teletrabalho?

- Já antes se falava do marketing pessoal: da forma de nos prepararmos, de nos sabermos apresentar aos outros. Isso é mais importante do que nunca. Temos de fazer valer aquilo que são as nossas competências. É o momento para ir buscar, via resiliência, aquilo que temos de bom  e podemos acrescentar.

- As mudanças no mundo do trabalho são inevitáveis?

- Não faço futurologia, mas acho que nada será igual. Não somos as mesmas pessoas. Vivemos uma experiência para a qual não estávamos preparados. Mas as pessoas continuarão a ser a chave da engrenagem.

O MEU CASO

Salvador Alves, de Ovar

"Somos tão bons como os outros"

A cerca sanitária que se arrastou durante um mês foi agora levantada no município de Ovar, que deixa de estar em estado de calamidade e passa a reger-se pelo estado de emergência que vigora em todo o País. Salvador Alves, responsável por uma serralharia mecânica naquela cidade do distrito de Aveiro, diz que viveu este período com a ansiedade natural, mas acrescenta que as coisas estão longe de estarem resolvidas. 

"A atividade é para ser retomada gradualmente, com todas as medidas de proteção necessárias, em termos dos operários, das entradas nas instalações, tudo. Há múltiplos cuidados a ter, há que comprar máscaras e que cumprir regras de higiene obrigatórias, o que implica mais encargos financeiros para a empresa", disse à CMTV

Salvador Alves admite que o tempo em que vigorou a cerca sanitária e em que a empresa esteve sem laborar "teve um efeito bastante negativo" nas contas da sua serralharia e que a partir de agora há que arregaçar as mangas e tentar recuperar o tempo perdido. "As empresas foram obrigadas a parar a laboração e é claro que isso se refletiu no volume de faturação, que baixou drasticamente", admite. "Agora temos de ser capazes de dar a volta por cima, de contornar esta situação e de sermos melhores. Se calhar, isto foi também uma oportunidade para percebermos que somos tão bons quanto outros e que conseguimos repensar as situações e reformular a nossa indústria", acrescenta Salvador Alves. "Há muito para fazer e cabe-nos continuar a cumprir as regras", frisa.

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